14 FEV 2020, 15h00 - 19h00 | EA 008
Vários projetos artísticos se têm centrado na sua relevância social e política, reivindicando um ato de engajamento - entre arte e sociedade - como centro da obra de arte. Está em causa a capacidade de lidar e discutir explicitamente aspectos conflituantes da experiência humana de uma forma deliberadamente politizada. No entanto, é importante tomar em linha de conta o modo como esse “engajamento” pode levar à renúncia, à perda ou até ao sacrifício dos aspectos materiais da obra de arte em favor de seu conteúdo político. Isto é, poderá o compromisso entre a arte e sua eficácia política comprometer a dimensão estética? Pode uma obra de arte ser validada apenas pela sua agenda política e eficácia discursiva? Num mundo de extremos políticos, estará a arte a tornar-se uma mera “ferramenta” do ativismo político [artivismo]? Haverá possibilidades para lá da polarização da autonomia estética e do ativismo político: formas de prática artística posicionada, que consigam articular o social sem perder de vista as qualidades formais e materiais?
Este seminário propõe uma discussão aberta e sem temores sobre as (dis)tensões contemporâneas entre política e estética da arte. Uma reflexão que tome em consideração como essas questões se confrontam com o pressuposto fundador da autonomia da arte. Uma reflexão que pode também emergir da necessidade de mudança das práticas artísticas etnográficas, documentais, políticas e socialmente engajadas para uma conciliação com a estética.
Oradores
Alexandra Balona
Francisco Vidal
Luiz Camillo Osorio
Pedro Duarte de Andrade
Sabeth Buchmann
Organizadores
Daniel Ribas
Maria Coutinho
Nuno Crespo
Organização conjunta
Akademie der bildenden Künste Wien
PUC – Rio
Universidade Católica Portuguesa – Escola das Artes / CITAR