O realizador Matías Piñeiro

Matías Piñeiro

Ciclo Carta Branca a...

Programa do Ciclo:

INVASIÓN (15 JUN) +info

           SESSÃO SURPRESA) (22 JUN) +info

LAS FACULTADES (29 JUN)+info

 


 

Elegí tres películas argentinas dirigidas por jóvenes directorxs, juventudes en diferentes épocas y de estilos diferentes, con la intención de que puestas cada película una al lado de la otra puedan descubrir un hilo invisible que pueda agregar y expandir algo nuevo sobre el cine de mi país.

Invasión es un clásico de la modernidad argentina. Realizada por Hugo Santiago, “un argentino de París” como él mismo se llamaba, conjuga el placer por el artificio y el género fantástico con las capas de una ciudad acediada por una cíclica e irreparable violencia política.

Silvia Prieto de Martín Rejtman despliega, por el camino de la comedia y el género “de lo menor”, una ruta sorpresivamente angustiante y liberadora sobre la identidad de una mujer y -¿por qué no?- de un cine nacional independiente al borde de la inexistencia.

Y, Las Facultades de Eloísa Solaas, la película contemporanea, se presenta como otra película de cruces, entre las instituciones y las personas que las atraviesan, entre la el ojo de un cine directo y el oído del género del absurdo. Humor y amor para pensar futuros posibles.

Intenté ser breve, terriblemente breve, para dejar el bello derroche a estas películas que tanto me gustan y que me ayudaron a creer que otro cine argentino, muchos cines argentinos, son posibles.

Espero que puedan ir a su encuentro, que se descubran lxs unxs a lxs otrxs y las disfruten.

Muchas gracias por la oportunidad.

Matías Piñeiro


 

15/6/2021, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO

INVASIÓN
de Hugo Santíago
Argentina, 1969, 123'

 


Sinopse

O esforço de vários homens de meia-idade, liderados por um outro idoso, para impedir a invasão da sua cidade, Aquileia, por um grupo estrangeiro. Numa tomada impossível de definir, os agressores introduzem a sua maquinaria, preparada para uma conquista de larga escala.

 


Folha de sala 

“A Cidade é Maior do que a Gente”

por Daniel Ribas (professor e programador de cinema)

 

Nas catacumbas do cinema argentino, estão tesouros passados que cimentam uma proposta de dissolução de um real imediato: Jorge Luís Borges, Adolfo Bioy Casares ou Julio Cortázar montam uma máquina que parece preceder o humano e com a qual nos enfrentamos diariamente. Nestes escritores, tudo acontece numa neblina ofuscante das personagens, das suas histórias, e dos seus inventivos cenários. Para o cinema argentino, este latente espectro das histórias e das ditaduras assume a sua potência máxima em Invasión, o clássico de Hugo Santiago (1969), co-escrito com Bioy Casares e Borges. Atravessado pelas novas vagas europeias (e pelo cinema de Bresson, de quem Santiago fora assistente), o filme é um estranho híbrido de ficção política especular, thriller policial e ficção científica distópica. Formalmente fotografado num preto e branco notável, Invasión procura uma forma de evidenciar os fantasmas de um mal difuso, que prenunciavam as ditaduras sanguinárias que a América Latina viveria, mas também num olhar utópico sobre a comunidade: “La ciudad es más que la gente”, afirma uma das personagens.

Invasión parece ser um espectro que assombra o cinema argentino. Estão, neste filme, características-chave de um imaginário: os heróis desassombrados, humanos; a distância (brechtiana) da representação, criando uma estranheza no universo fílmico; as histórias de desencontros, de poder, e de uma espécie de mal-estar subterrâneo; finalmente, um formalismo cinematográfico, impondo uma montagem agressiva ao lado de uma composição delicada da mise-en-scèneInvasión passa-se em Aquileia, uma espécie de Buenos Aires mítica, ao som trágico do tango (Milonga de Manuel Flores), e é uma espécie de forma que adivinha o cinema do futuro. É um filme tremendamente político, que põe em evidência as tensões da camaradagem, da luta INVASIÓN, contra o inimigo, e o lugar do amor. Na parede, onde a cidade é mapa, vê-se a urgência da humanidade no meio do caos do mundo. Tenta-se dar ordem, esquecer os fantasmas que estão lá fora. Mas, enfim, a vida será sempre um labirinto. Um labirinto dos caminhos que se bifurcam.


 

22/6/2021, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO

 

 


Sinopse

 

Sessão surpresa.


Folha de sala 

“Carta dúplice para Matías Piñero + Cineclube da Escola das Artes / Projeção de Silvia Prieto de Martín Retjman” 

por Ana Vaz (artista visual, realizadora)

 

1 + 1 = 3  

1. 

21 de junho 2021 

solstício de verão  

querido Matías,  

é a terceira vez que assisto Silvia Prieto em menos de 6 meses. a beleza da terceira vez é quebrar com o dúplice já que há sempre uma terceira via, vez, lado que por vezes não vemos. desta última vez, para além do humor, do macacão amarelo do coyote's grill, das unhas postiças, das intrigas sem resolução, da precariedade econômica, da ansiedade feminina que carrega o laissez faire auto envolvido dos homens, das mulheres que em clave menor são, inventam e contam; da frieza quente e desprendida dos  personagens que parecem contaminar o nosso próprio cotidiano fazendo dele um dúplice do filme; dos  objetos indesejados (bonecas, blazers e até um nome), da mudança de identidade como forma de  sobrevivência, da Buenos Aires em plena crise econômica (como se este não fosse o destino indesejado de qualquer cidade sul americana), da pichações nos muros, do imenso hors champs que contamina o filme  — respiro — desta vez, outra coisa. desta vez, vi-senti: luísa, sabrina, cecília, mercedez, camila, carmen, paula, ana, natália, lorena. desta vez, vi apenas as inúmeras Silvia Prietos que não têm telefone em nome próprio reunidas ao redor de uma mesa baixa como se conspirando um devir palpável, em círculo, em segredo. como se conspirando um mundo porvir longe das estátuas e ainda mais longe dos heróis. lembrei-me daquilo que disse a propósito do teu El Hombre Robado: as personagens agem nos interstícios do trabalho, embaixo das estátuas heroicas, nas páginas esquecidas  dos livros menores, nas notas de baixo de página de uma literatura sem troféus, de uma história sem  heróis, nem heroínas. Silvia Prieto é uma não identidade que recusa as luzes, o reconhecimento e até a carta de identidade — como talvez todas as suas personagens?  

— Silvia Prieto? 

aguardando  

na linha telefônica,  

ana v.  

2.  

cartão postal  

Matías,  

lembro-me da tua frase: 

mercedez sou eu 

de flaubert:  

madame bovary c'est moi  

ao que eu diria 

silvia prieto somos nós  

um beijo, 

ana v. 

 

 


 

29/6/2021, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO

LAS FACULTADES
de Eloisa Solaas
Argentina, 2019, 77'

 


Sinopse

 

Os stressantes últimos dias antes dos exames orais finais de vários universitários, de diferentes áreas e estudos. Da espera, do drama e do absurdo de alguns dos temas irão surgir relações inesperadas.

 


Folha de sala  

 

“The Need of the Faculties” 

por Esteve Tomas Hernandez (argumentista)

Elosia Solas’s documentary, Las Facultades (in English: The Faculties), is an intimate story that invites us as viewers to experience the final exams of university students in Argentina. The beauty of this observational documentary hides in the meticulously chosen shots and the intimacy that Solas gives us. We can sit next to these students and see, even feel in certain situations, their suffering in this less conventional method, taking final exams orally. Final exams are (or have been for all of us at some point in our academic life) moments where we experience emotions such as concentration, fear, insecurity or failure. During the documentary, we see all the aforementioned emotions through the non-verbal language of the students.

Furthermore, at certain moments we forget the intellectual content of these conversations focusing our attention on the sincerity of these students’ reactions. Another curiosity of this story is the fact we get into different faculties and see how each one uses a different method of evaluation. It is interesting how different the interactions between students and teachers are depending on which faculty we are in, and how common the reactions and poses of the students are. All in all, we end up seeing the bitter or sweet side of exams: the assessment, and from my point of view, it remembers us that exams are not simply tests of knowledge, but tests of emotional management.