Spring Seminar 2023

Spring Seminar 2023 · Montagem
10-12 MAI 2023
Escola das Artes - Universidade Católica Portuguesa


Call for Papers


Data limite: 17 de fevereiro, 2023
Anúncio dos resultados: 10 de março, 2023

As propostas devem conter as seguintes informações:

  • Título
  • Nome do(s) autor(es), afiliações e contacto(s)
  • Resumos, 250-300 palavras
  • 3-5 palavras-chave
  • 3-5 referências
  • Nota biográficas do(s) autor(es) (maximum 100 words)

Submeta a sua proposta aqui: https://forms.office.com/e/UJinCw38kK

Para mais informações envie um email para: springseminar.arts@ucp.pt

São aceites propostas individuais (comunicações até 20 minutos), ou de painel pré-constituído (3 a 4 pessoas, 20 minutos por pessoa), identificando um coordenador, que assume a responsabilidade pela submissão. São aceites comunicações em português ou inglês.

A conferência será híbrida (presencial e online).

Conferencistas confirmados
Delfim Sardo
Sergei Loznitsa
Sofia Borges
mais brevemente


Spring Seminar 2023 · Montagem

O Spring Seminar 2023 discutirá a montagem como estratégia decisiva para as artes e para a filosofia, da modernidade até ao presente. O uso da montagem tornou-se uma forma de romper com a pretensão tradicional de completude teórica ou bela harmonia estética, deixando claro que se trata mais de reunir fragmentos do que de totalizar uma verdade absoluta. Abre uma forma diferente de conceber o conhecimento e a prática política.​

Como estratégia, a montagem é assim anunciada – mas ainda não com este nome – na filosofia fragmentária do romantismo alemão do final do século XVIII. A confiança tradicional na completude do significado foi perdida, como se os pensamentos fossem deixados em pedaços ou ruínas do que antes era uma totalidade. O poema “O torso arcaico de Apolo'', de Rainier Maria Rilke, é um exemplo dessa situação histórica e artística.

Desde então, a montagem foi adotada nas vanguardas artísticas do século XX: no cinema de Eisenstein a Vertov até seu uso radical com Jean-Luc Godard; na fotografia; na colagem cubista sobre tela de Braque e Picasso; na poesia do Surrealismo; na música tropicalista de Caetano Veloso - entre tantas outras expressões. Walter Benjamin e Peter Bürger fizeram da montagem uma categoria crítica fundamental.

Hoje em dia, a montagem pode ser encontrada até mesmo na operação de DJs guiados pelo sampling, alteração e junção de partes sonoras de diferentes fontes. Grande parte da arte contemporânea responde ao que Marjorie Perloff chamou de “génio não original”, ou seja, uma criação por meio da recombinação do que já foi feito, por meio de uma reorganização do material já produzido.

Para além disso, a montagem também quebrou hierarquias e entrelaçou diferentes formas de arte, que se recombinavam incessantemente, reunindo diferentes procedimentos artísticos, além de revelar novos significados a partir do material de arquivo. Trouxe uma nova abordagem para o pensamento dialético.

Assim, a montagem abriu novos caminhos para a prática curatorial, desde os procedimentos seminais de Aby Warburg até as ideias de Georges Didi-Huberman, que pensa sobre afinidades e tensões entre imagens que não obedecem a uma linearidade cronológica, sendo montadas com outras relações históricas. Veja-se, por exemplo, o caso emblemático do filme-ensaio de Alain Resnais e Chris Marker, Les Statues meurent aussi, de 1954. Mas tantos filmes do cinema contemporâneo utilizam a montagem para dar conta da avassaladora abundância de imagens, como aqueles vindos de câmaras de CCTV, streaming e do arquivo que está a ser agora digitalizado. Conceitos como documentários fake, filmes de apropriação e o filme-ensaio ganharam um novo significado nas últimas duas décadas.​

A escrita teórica em ensaios, abdicando das intenções sistemáticas do idealismo, lança mão também de montagens de ideias, ao invés de encadeá-las segundo uma ordem necessária e inequívoca. O ensaio – originado com Michel de Montaigne no Renascimento e teorizado desde Georg Lukács no século XX – não busca uma origem absoluta ou um fim último, mas uma constelação que permita pensar o seu tema a partir de uma perspectiva imprevista.

A montagem tornou-se assim não apenas uma forma de criar novos objetos, imagens ou ideias, mas novas relações entre objetos, imagens e ideias. Metáforas como a bricolagem, o mosaico, a constelação ou a colagem substituiriam – pela justaposição dos seus elementos um ao lado do outro – a estrutura monolítica da síntese baseada em causalidades estritas entre os seus elementos.​

Montar é inscrever associações surpreendentes entre elementos ou obras que, de outra forma, poderiam parecer distantes uns dos outros, seja no espaço ou no tempo. Desta forma, a montagem desafia os modos tradicionais de representação e convoca a arte e o pensamento a se apresentarem.​

Nesse contexto, diferentes propostas e diferentes áreas de pesquisa e práticas artísticas são bem-vindas para pensar a montagem na arte, na crítica, na filosofia, na curadoria e na produção cultural em geral:

  • montagem de ideias contra totalização da verdade;
  • prática curatorial como montagem e performatividade;
  • implicações políticas da montagem;
  • fragmentos em arte e filosofia;
  • diferentes abordagens no pensamento dialético;
  • associações inconscientes em poesia e psicanálise;
  • colagens em pintura e artes;
  • diferentes práticas de montagem no cinema;
  • ensaios fílmicos e outras formas de apropriação cinematográfica no cinema contemporâneo;
  • imagens e fotomontagens;
  • justaposições sonoras na música;
  • montagem entre diferentes formas de arte;
  • ensaio como forma de escrita ou imagens;
  • arquivo e memória no conhecimento histórico do passado.

Uma iniciativa conjunta de:  Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa; CITAR – Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes; PUC – Rio; CAPES Print; Grupo de Arte, Autonomia e Política