Paula Beatriz, natural de Lordelo –Paredes (2004), é finalista da Licenciatura em Arte, Conservação e Restauro.
No secundário frequentou o curso Cientifico Humanístico de Artes Visuais e até ao seu último ano não sabia o que queria seguir no ensino superior. No entanto, deparou-se com o curso em que podia realmente fazer o que gostava como trabalhar diretamente com as obras e realizar trabalhos minuciosos e detalhistas.
Inicialmente o que a fez ter mais motivação para seguir esta área foram os vídeos satisfatórios que apareciam no tiktok, contudo no decorrer da licenciatura, teve oportunidade de participar em campanhas organizadas pela universidade, onde um dos trabalhos era realizar o tratamento conservativo das maquetes do arquiteto Álvaro Siza Vieira e também de trabalhar em diversos materias durante os 3 anos e entendeu que realmente estava no curso certo, mas com a motivação errada.
Isto porque a sua verdadeira paixão era tudo o que era relacionado com as madeiras e a pratica do douramento!
De momento está inscrita no Mestrado em Conservação e Restauro de Bens Culturais, na mesma Universidade apenas para ter mais tempo de dar risadas nos corredores das oficinas (se ouvirem uma bruxa já sabem que sou eu), tomar cafés e fofocar antes das aulas com as suas amigas e para conseguir chatear a Cristina mais 2 anos. Isto se ela conseguir chegar a tempo das aulas o que promete tentar fazer daqui para a frente.
"Ao longo da licenciatura comecei a realizar trabalhos de restauro em conjunto com um conservador restaurador, e neste tempo eu auxiliei-o na intervenção do altar na Capela Carmelita situada na minha zona.
Com este trabalho tivemos de analisar a estabilidade e a fragilidade da madeira do altar e após o tratamento ainda fizemos o repintedo símbolo da Ordem e o devido douramento.
Na desmontagem acabamos por descobrir vestígios de calçados de crianças já em degradação entre a parede e o altar, encontramos vestígios do material original do altar antes de ser colocada a madeira e chegamos a conclusão que no restauro anterior as molduras do altar tinham sido colocadas ao contrário.
Sempre preferi o trabalho pratico do que o teórico e sempre gostei de arte e dos seus pormenores, tudo o que este curso me proporciona.
Nesta área posso realmente trabalhar e fazer algo em que me sinto realizada e confortável a fazê-lo.
O meu segundo ano de licenciatura foi o que mais me marcou neste percurso todo, porque realmente percebi que a área que eu quero especializar-me é nas madeiras e no douramento das peças, istoporque nesse ano eu intervencionei um sacrário que apresentava danos estruturais e que acabou por me proporcionar uma experiência extremamente completa do material. A frase "Quem corre por gosto não cansa" nunca fez tanto sentido para mim, isto porque eu posso começar a trabalhar numa peça e quando me apercebo já se passaram horas e ainda não me sinto cansada e apenas quero continuar. Isto porque a paixão por este trabalho é tão verdadeira que as horas passam e não dou conta."