>17 Mai · Those That, at a Distance, Resemble Another

 

17/05/2022, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO

THOSE THAT, AT A DISTANCE, RESEMBLE ANOTHER
de Jessica Sarah Rinland
Reino Unido, Argentina, Espanha, 2019, 67'

 

* Sessão em colaboração com as Aulas Abertas Escola das Artes 2022

 

Sinopse

O que é o original e o que é uma cópia? Um filme ensaio, artesanal, de mãos que trabalham na preservação e na replicação. E o uso do cinema, ele mesmo, também nessa tensão entre o perecível e a perfeição digital de uma pseudo eternidade. 
 

 

Folha de sala

“Mãos e Matéria”

Por Nuno Camarneiro (Professor e escritor)

 

O que têm os macacos Kala e César que ver com as antiguidades gregas e com a conservação e restauro? Muito, diz-nos a artista e cineasta Jessica Sarah Rinland, têm muito que ver.

Esta é uma obra que pergunta e que responde com mais perguntas. O que é a conservação? O que é um original? Que papel têm as mãos e os homens na preservação da memória?

A diferença entre genuíno e cópia, é disso que tratamos, ou não é? Que processos levam de um à outra? O que nos transporta do real ao simulacro e vice-versa? A câmara faz-se neutra, mas é? A câmara não pensa, ou pensa? Acompanhamos um processo, a criação de uma réplica de uma presa de marfim, é isso, ou não é isso? Que copiamos? Veem-se as mãos, as artes, o trabalho meticuloso. Que vale o trabalho, que vale o esforço? A forma, a essência, mas qual forma, qual essência? Tudo é cópia, ou não é? Os seres, a matéria, organismos nascidos de outros organismos, réplicas, cópias, simulacros…

O implícito arde e convoca, o implícito pergunta. Podemos chamar Benjamin, Adorno, ou outros ainda, mas nada nos responde, só perguntas por cima de perguntas.

Há que renovar o velho para que volte a ser novo, não é? Não sabemos, quem sabe?

O trabalho, as mãos, a matéria, o gesso. O velho e o novo, tão difícil, quem sabe?

O real é trabalhoso e lento, o real é uma ficção demorada.   

Que materiais servem a cópia? Quem escolhe, quem decide? Mais perguntas. Tantas perguntas.

As imagens mostram, as imagens são.

Tudo o que sabemos é uma imagem do que devemos saber. É, ou não é?

A réplica, o eco, a arte da imitação. Haverá outra?

Tudo o que existe é imitado.

Tudo o que existe tem sempre que ser criado, a cada momento, a cada instante. Uma presa de marfim, um caixa do século XIX, uma certa forma de olhar o mundo. Todos os artistas são conservadores e restauradores, todos. O mundo está feito, mas temos que o recuperar.

Os artefactos foram organizados e guardados em espaços de armazenamento com temperatura controlada por arqueólogos, conservadores e pessoal do laboratório, é-nos dito no final do filme. Ficamos a pensar em cada uma dessas palavras e no sentido que tinham e que têm.