Quadra de Ases · Cineclube EA

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Cineclube 2023-24

Equipa do Cineclube EA 2023/24
 

António Barata
Carolina Rebelo
Diana Monteiro
Diogo Pinto
Fernando Machado
Francisca Dores
Gabriel Andrade
Gabriel Luna
João Pinto
José Antunes
Luísa Alegre
Mariana Machado
Patrícia Pereira
Sofia Tavares


com o apoio
Carlos Natálio

 

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PROGRAMA

06 NOV 2023, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
Whirlpool
de Otto Preminger
Estados-Unidos, 1950, 98'

Ann Sutton sofre de cleptomania. Após ser apanhada a roubar, um astuto hipnotizador charlatão manipula-a, enredando-a na sua rede de interesses. Nesta obra-prima do noir, Otto Preminger realça a interpretação magistral de Gene Tierney, explorando a complexa dualidade da sua personagem e sua luta psicológica. A expressão corporal de Tierney, combinada com movimentos de câmara precisos, cria uma atmosfera de transe cativante.

 

14 NOV 2023, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
M
de Joseph Losey
Estados-Unidos, 1951, 88'

Remake do clássico filme de 1931 realizado por Fritz Lang, Joseph Losey recontextualiza a angústia do expressionismo alemão dentro do cenário norte-americano numa evidência de hipocrisia moral e de desestruturação das instituições. Produto de seu próprio meio, a personagem perseguida expõe a grande contaminação social neste thriller amargo. 

 

28 NOV 2023, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
Pursued
de Raoul Walsh
Estados-Unidos, 1947, 101'

Um rapaz, que vive assombrado por pesadelos sobre a noite em que toda a sua família foi assassinada, é criado por uma família vizinha na década de 1880. Com semblante melancólico e deslocado, a sua única ligação com o mundo que o cerca está no amor que sente pela sua irmã adoptiva. Anos depois, o passado volta a atormentá-lo pela ameaça de um parente desconhecido que deseja a sua morte.

 

12 DEZ 2023, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
Beyond a Reasonable Doubt
de Fritz Lang
Estados-Unidos, 1956, 80'

Austin Spencer, proprietário de um importante jornal, opõe-se à pena de morte, tendo como principal adversário um promotor público que, no entender de Spencer, obtém dividendos políticos às custas dos homens que condena à morte. Spencer convence o seu futuro genro, um escritor em ascensão, a deixar-se incriminar num caso de assassinato, plantando falsas provas que levariam à sua prisão, julgamento e condenação; no momento oportuno a farsa seria revelada, comprovando a tese de Spencer de que um julgamento baseado apenas em provas circunstanciais pode levar à execução de um inocente. 

 

06 NOV 2023 - 12 DEZ 2023, 18:30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
Ciclo Quadra de Ases

A mise-en-scène pelo fascínio e o fascínio pela mise-en-scène 

Para o crítico francês Michel Mourlet (n.1935), a essência do cinema estava na sua mise-en-scène. A singularidade da arte cinematográfica estava em fundamentar-se pela materialidade a favor da técnica. A posição do homem diante à câmera era mediada por uma organização de seu próprio universo particular, de suas aspirações enquanto obra fruto de um produto do fascínio. Tal fascínio só poderia ser alcançado se o equilíbrio entre o real e a farsa fosse meticulosamente transposto pela tela branca do cinema, de modo a encantar o espectador, não como parte deste mundo, mas como observador distante, plenamente consciente de sua condição enquanto indivíduo frente ao espetáculo. 

Mourlet exprime suas idealizações sobre o cinema no polêmico artigo Sobre uma Arte Ignorada1 em meio aos diversos debates sobre “o que seria o cinema?” (cabe ressaltar a enorme influência de André Bazin nessas discussões) e que permeavam a cinefilia parisiense entre os anos 1950 e 1960. No cerne das discussões estavam os críticos da Cahiers du cinema “hitchcock-hawksianos” (Godard, Rivette, Truffaut, Rohmer, Chabrol) e sua “política dos autores” sobrepondo o autor  à forma. Do lado oposto, os “mac-mahonistas” (Pierre Rissient, Georges Richard, Michel Fabre, Jacques Serguine e Michel Mourlet – também crítico da Cahiers) faziam o movimento inverso ao propagar que a forma (mise-en-scène) deveria ser a principal e única autoridade num filme. 

No contexto de apresentação, tanto do surgimento desse núcleo que se formou ao redor deste conceito quanto na extensão dos pensamentos que resultaram no texto de Mourlet, é impossível retratar tais eventos sem repousar sobre a história do cinema que deu a alcunha ao seleto grupo de críticos e cinéfilos. Em atividade desde o final dos anos 30, o cinema Mac-Mahon, situado na avenida de mesmo nome, número 5, em Paris, próximo aos escritórios da Cahiers du Cinéma, desempenhava o papel de exibir filmes americanos exclusivamente em sua versão original legendada. Sua única sala, com 150 lugares, concebida no estilo art déco, tornou-se ponto de encontro para Rissient, Richard, Fabre, Serguine e Mourlet, que passaram a frequentar o cinema assiduamente. 

Foi pela relação simbiótica entre cinema e espectador que Rissient consegue convencer Emile Villion, diretor do Mac-Mahon, a programar They Live by Night (Nicholas Ray, 1948). Após o sucesso de exibição, Rissient começa a programar outros filmes, dentre eles, Whirlpool (1950) de Otto Preminger. Em 1955, Rissient programa The Lawless (1950) e (1951), ambos de Joseph Losey; e nos anos subsequentes, programa filmes de Fritz Lang (centrados em sua fase americana), Raoul Walsh e outros filmes de Preminger, que até então eram pouco conhecidos pelo público francês. A preferência pelos quatro diretores, somada à adesão do público diante do apelo das obras, resultou no reconhecimento de Villion, estampado no hall do cinema por meio de quatro retratos preto e branco de Preminger, Losey, Walsh e Lang – nomeadamente, “a quadra de ases”. 

Usando como base o contexto de "Mac-Mahon" e o artigo de Mourlet – ambos historicamente e inerentemente conectados –, surge este ciclo que visa apresentar e discutir o papel da mise-en-scène por meio de filmes que integram o pensamento Mac-Mahon, não como uma aprovação da solidez argumentativa e teórica de Mourlet, mas como um estudo sobre a evidência desse fascínio provocado no espectador e como uma reflexão flagrante sobre o ato de posicionar em cena. Por meio deste texto controverso e enigmático, Michel Mourlet direciona seu olhar para a exaltação do sensível nessa grande escrita cinestésica que é o cinema. Nele, podemos indagar sobre esse fascínio inexplicável que pode ser sentido na interpretação viciante e encantadora de Gene Tierney em Whirlpool. Ao mesmo tempo, podemos repudiar a imposição quase fascista de um endeusamento dos corpos – majoritariamente brancos e padronizados – como a única maneira de expressão plenamente cinematográfica. 

Nesta intersecção entre o belo e o ditatorial, entre a mística da beleza e o rigor formal, surgem à luz os filmes apresentados neste ciclo com o intuito de evidenciar essa hipnose cênica por meio das relações entre os trabalhos dos quatro diretores favoritos dos seguidores da ideologia Mac-Mahon. Mais do que uma simples apresentação do contexto e das condições para se chegar a esta concepção de fascínio, o ciclo propõe traçar paralelos na maneira como esses mesmos corpos se dispõem no mundo diegético, como o mundo responde a eles, suas ações e como elas se organizam pelas mãos da regência de seu criador. O exercício está na talvez prematura tentativa de compreender o que leva a imagem do cowboy melancólico com traços edipianos de Robert Mitchum em Pursued, western pseudo noir de Raoul Walsh ressoar na personagem de David Wayne no remake de M, que por sua vez dialoga com as incertezas conspiratórias de Beyond a Reasonable Doubt e terminam por desaguar na – literal – hipnose de Whirlpool

Se tudo está na mise-en-scène, como afirma Mourlet veementemente em seu manifesto, então é dela que partimos nossa busca pela compreensão do fascínio. Por hora, esses filmes podem servir como uma porta de entrada, ou melhor, uma exposição do que pode ou não funcionar. O fato é que entre tentativas e erros, busca-se localizar nesta confluência de energias que dominam a sala de cinema. Desse elemento mágico que nos invade e rouba nossa atenção, nos coloca em outro tempo ao seu comando, que nos absorve – ou quase isso. 

Gabriel Luna (Mestrando em Cinema na Escola das Artes)

1. Mourlet, M. (1959, Agosto). Sur un art ignoré. Cahiers du Cinéma, 98, 23-38. 

 

Bibliografia

Andrade, B & Cartaxo, M (2022). Mac-Mahon Distribution. Letterboxd. https://letterboxd.com/timeistheking/list/mac-mahon-distribution/

Mourlet, M. (1959, Agosto). Sur un art ignoré. Cahiers du Cinéma, 98, 23-38.

Oliveira Jr., L. C. (2013). A Mise en Scène no Cinema: do Clássico ao Cinema de Fluxo. Papirus.

Wimmer, L. (2018). Parisian Cinephiles and the Mac-Mahon. In Phillips, A & Vincendeau, G. (Ed.), Paris in The Cinema: Beyond the Flâneur (pp. 113-119). British Film Institute.

 

 

 

 

 

 

 

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