Sara Rodrigues

Mestrado em Conservação e Restauro

Bio

Como um passo natural após a licenciatura, percorreu o Mestrado em Conservação e Restauro de Bens Culturais com a convicção de que conservar é mais do que intervir tecnicamente: é escutar, compreender e cuidar.
Entre o pó das escavações e a fragilidade dos materiais, foi cultivando uma prática atenta às histórias que os objetos transportam e à forma como esses objetos continuam a tocar as vidas de quem os rodeia.
Ao longo do mestrado, foi ganhando uma consciência mais profunda da dimensão humana do património. Destacam-se experiências como a colaboração com o Instituto Profissional do Terço, no âmbito de um estágio voluntário, onde participou ativamente na criação do museu da instituição. Nesse contexto, envolveu-se em tarefas de conservação preventiva, inventário e curadoria de um espólio marcado por memórias religiosas, militares e educativas, e sempre num cenário de recursos limitados, exigindo sensibilidade e adaptabilidade. Participou também no Congresso IIC Lima 2024 como voluntária digital, mediando sessões entre oradores e público online e redigindo reflexões sobre os temas debatidos. Momentos como estes, ou as conversas informais com visitantes durante intervenções em peças com grande valor afetivo, consolidaram nela a certeza de que conservar é, acima de tudo, um trabalho de escuta e relação.

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 Levantamento e Sistematização das Práticas de Conservação em Artefactos Arqueológicos de Ferro – Análise de 15 Casos de Estudo da Época Moderna do Mosteiro de S. Martinho de Tibães
– dissertação

A dissertação centrou-se na análise técnica, documental e contextual de artefactos metálicos provenientes da primeira campanha arqueológica realizada naquele mosteiro beneditino. Preservados atualmente no Museu de Arqueologia Dom Diogo de Sousa, os objetos em estudo, todos em liga de ferro, permitiram uma reflexão aprofundada sobre os tratamentos realizados, o estado de conservação dos materiais e as metodologias aplicadas.
A fase de investigação foi previamente e no decorrente, enriquecida por formações complementares, como a Escola de Verão HERCULES e Lab2PT/IN2PAST dedicada a técnicas analíticas em escavações arqueológicas, o seminário “Património Cultural Metálico – Caracterizar para Preservar” (EPPIC), a HS Academy Lecture sobre métodos eletroquímicos de estudo da corrosão,  webinar internacional “Desafíos y estrategias en la conservación del patrimonio subacuático”, organizado pelo Centro de Estudios y Capacitación Internacional (CEDICI), Peru, e o curso breve de Gestão de Coleções: Conservar, Inventariar, Investigar e Divulgar, promovido pelo Património Spira. Ao longo de nove meses, foram analisadas práticas de intervenção, conservação preventiva e curativa no património arqueológico, identificadas lacunas na documentação e sistematização de intervenções, e recolhidos testemunhos de profissionais da área.
O trabalho procurou contribuir para uma maior visibilidade do património arqueológico metálico do Período Moderno, ainda pouco abordado em Portugal, e para a harmonização de procedimentos de conservação que respeitem a integridade material e histórica dos objetos. Algumas limitações no acesso direto às peças, assim como no acesso atualizado e partilha de dados institucionais, revelaram-se desafios reais do contexto museológico nacional — que, longe de desmotivar, reforçaram o valor deste estudo enquanto contributo académico e prático. Entre os momentos mais marcantes do processo destacou-se a entrevista à conservadora-restauradora Isabel Marques, cuja dedicação à profissão e sensibilidade no cuidado das peças trouxe uma dimensão mais humana e ética à investigação.
A colaboração direta na dissertação e noutras etapas profissionais com a colega de Doutoramento Inmaculada Sanchéz revelou o melhor do trabalho académico e interajuda profissional, que em sacrifício do tempo pessoal, sempre se predispôs a ajudar em nome da conservação do património. Estas experiências permitiram cruzar a realidade nacional com abordagens internacionais, consolidando uma perspetiva crítica e atualizada sobre a conservação de metais arqueológicos.
O estudo resulta, assim, de um equilíbrio entre investigação, colaboração profissional e formação contínua — com o objetivo de contribuir, de forma construtiva, para o desenvolvimento da área em Portugal.