Serralves em Festa abre novamente as suas portas aos estudantes da Escola das Artes, que integram a programação de mais uma edição do evento, com instalações para contemplar durante três dias.
De 31 de maio a 2 de junho realiza-se a 18.ª edição do Serralves em Festa, um evento anual de acesso gratuito que promove a arte e a cultura na cidade do Porto.
Mais uma vez, verifica-se o forte envolvimento da Escola das Artes na vasta programação do evento, integrando sete instalações de alunos de licenciatura e mestrado, que podem ser visitadas no piso -1 da Casa de Serralves, na Zona das Cozinhas.
Conhece aqui as obras e os autores:
ECLIPSE DO MEIO
Mariana Machado, Mestrado em Som e Imagem — New Media ArtECLIPSE DO MEIO

A imagem em movimento é também dispositivo em movimento. Aqui, em parcelas similares, este apresenta-se nu — desprovido de limite que o encerre. A peça, composta por cinco estruturas em ferro portantes de discos giratórios e luz própria, distribui feixes especulares pelo espaço, produzindo silhuetas onde se sobrepõe a distinção, ultimamente paradoxal, entre a imagem projetada e a imagem do mecanismo a projetar. Desarmando distinções como as de projetor/recetor, imagem/objeto, criação/manifestação, o processo de formação da imagem em movimento vê-se reduzido aos seus elementos mais axiomáticos como forma de materializar as suas complexidades e contradições inatas.
BEYOND THE UNSEEN
Filipa Antunes, Licenciatura em Som e Imagem

As notas vagueiam sem um lar tonal definido, explorando paisagens sonoras que desafiam as fronteiras da harmonia conhecida. Os acordes entrelaçam- se numa dança tumultuosa de tensão e resolução, criando uma composição sonora que desafia as nossas expectativas e nos leva a explorar novos horizontes de expressão musical. Assim, enquanto os acordes ressoam num coro de possibilidades, os povos oprimidos lutam para encontrar a sua própria voz. É uma dança de resistência e esperança, onde as notas silenciadas encontram eco nas canções da liberdade e da igualdade, onde as cicatrizes do passado são transformadas em melodias de renovação e redenção.
QUE NINGUÉM NÃO ME OLHE
Francisco Oliveira, Mestrado em Som e Imagem — New Media Art

Sino, Coração da aldeia,
Coração, sino da gente;
Um a sentir quando bate,
Outro a bater quando sente.
— Carácter Mágico do Toque das Campainhas (Sep. Revista de etnografia, nº 12)
Criar um amuleto pressupõe uma ideia de posicionamento do individuo num espaço temporal, tipicamente no futuro: Crio este objeto de modo que algo de mau não me aconteça. Será guardado num sítio e será escondido no outro, sempre com uma noção muito clara de onde e quanto tempo deve ter esse armazenamento. Um sinoé um amuleto mas transcende a sua agência. Os sinos dizem-nos quanto tempo passa, anunciam-nos acontecimentos de natureza social, são utilizados como sinal de alerta de algum tipo de catástrofe. Seja no topo de uma igreja, no pescoço de uma cabra, a meio da transumância, seja por cima de uma campainha de uma porta, as partículas que nos levam o seu som encadearam-se diretamente desde este objeto amuleto, e fizeram mover matéria até dentro de nós.
16MM ESSAYS
Alunos de Cinema Expandido EA–UCP, Licenciatura em Som e Imagem

Esta instalação é composta por breves ensaios visuais decorrentes da prática laboratorial em película 16mm revelados e editados colaborativamente pelos alunos, na disciplina Cinema Expandido, da Escola das Artes, no ano lectivo 2023-2024.
AUTO ABSORÇÃO
José João Lopes, Licenciatura em Som e Imagem

Sala de escuta a meia-luz dedicada à audição immersive de peça sonora duracional e cumulativa difundida através de sistema de 2 canais de alta-fidelidade.
SWARM MIND
Maria Rui Duarte, Mestrado em Som e Imagem — New Media Art

Não lhe sendo exclusiva, a noção de mente colectiva (collective mind) é fundacional ao pensamento feminista. Narrativas comunitárias e a partilha de experiências cria espaços alternativos onde o conhecimento pode ser gerado coletivamente sem autoria individual. Nesse sentido, e como refere Audre Lorde, a mente colectiva debruça-se sobre o prazer originado pela partilha e conexão, criando fissuras para compreender e re-enquadrar o que não foi compartilhado, dado a conhecer e, assim, diminuir a ameaça latente da diferença. Utilizando a colmeia e a voz como arquétipos organizacionais, Swarm Mind procura indagar sobre as dinâmicas e registos de colectividade e partilha de espaço através de uma exploração material de corpos convexos e vibracionais.
SUBMERSO
Lei, Mestrado em Som e Imagem — New Media Art

The spacious ambience of nature when treated with respect, allows physical and emotional freedom; it is an outdoor room essential to thought and untraumatic (that is, relatively unforced) development. — Geoffrey Hartman (1997) The Fateful Question of Culture
Num jogo de escalas, Submerso ativa a memória quotidiana do som do mar retido no interior da arquitectura ressonante do búzio, procurando sublinhar tal ficção, e as potencialidades construtivas que a mesma encerra, ao tornar visível a imagem de um oceano retido num pequeno ponto.
Mais informações sobre o evento aqui.