Entre 29 de junho e 3 de julho, realizou-se a oitava edição da Porto Summer School on Art & Cinema, que, numa edição especial organizada em parceria com a XVI Lisbon Summer School for the Study of Culture e o Lisbon Consortium, decorreu pela primeira vez na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. Dedicada ao tema Disobedience, a Summer School reuniu artistas, curadores, cineastas e investigadores internacionais para refletir sobre a desobediência enquanto prática artística e cultural, através de um programa que articulou seminários, conferências, exposições e projeções de cinema.
Um dos momentos centrais desta edição foi a apresentação de Disobedience Archive (The Agitational Billboard), com curadoria de Marco Scotini, display expositivo concebido por Ângela Ferreira e assistência curatorial de Alessia Riva, na Galeria Fundação Amélia de Mello da Universidade Católica Portuguesa. Iniciado em 2005 por Marco Scotini, Disobedience Archive é um arquivo de vídeo em permanente transformação dedicado às relações entre prática artística e ação política. A sua apresentação em Lisboa reuniu dezoito obras organizadas em torno dos núcleos Gender Disobedience e Insurgent Communities and Colonialism, convocando trabalhos de artistas e cineastas como Ege Berensel, Seba Calfuqueo, Simone Cangelosi, Marcelo Expósito & Nuria Vila, Ali Essafi, Maria Galindo & Mujeres Creando, Ruy Guerra, Sara Jordenö, Sarah Maldoror, Angela Melitopoulos, Carlos Motta, Sana Na N'Hada, Pinar Ogrenci, Daniela Ortiz, Güliz Sağlam, Tita Salina & Irwan Ahmett, Sim Chi Yin e Mohanad Yaqubi.

A intervenção de Ângela Ferreira reinterpretou a figura histórica do agitational billboard enquanto dispositivo expositivo, propondo um espaço de circulação de vozes dissidentes, memórias de resistência e narrativas alternativas. A inauguração foi antecedida por uma conversa entre a artista e Marco Scotini, e moderação do diretor da EA Nuno Crespo, que abriu o programa público da Summer School com uma reflexão sobre o papel da arte e do arquivo na construção de formas de resistência e de transformação social.
Ao longo da semana, o programa público expandiu os debates da Summer School para diferentes espaços da cidade. Na Cinemateca Portuguesa realizaram-se duas sessões dedicadas às relações entre cinema, ativismo e desobediência: Gender Disobedience, com Corpo Fechado – The Devil's Work (2018), de Carlos Motta, e Kiki (2016), de Sara Jordenö; e Diaspora Activism, com Adventures in Mozambique and the Portuguese Tendency To Forget (2016), de Ângela Ferreira, e R21 aka Restoring Solidarity (2022), de Mohanad Yaqubi. O programa encerrou na Culturgest com a projeção de The Natural History of Destruction (2022), de Sergei Loznitsa, seguida de uma conversa entre o realizador e Isabel Capeloa Gil, proporcionando uma reflexão sobre memória, violência e representação histórica.
Ao longo da Summer School, convidados como Ana Longoni, Ângela Ferreira, Ato Quayson, Gabrielle Civil, Marco Scotini, Markus Messling, Sergei Loznitsa, Sumathi Ramaswamy e Tânia Ganito contribuíram para uma discussão interdisciplinar sobre a desobediência enquanto forma de crítica, emancipação e produção de conhecimento. As diferentes sessões abordaram temas como o ativismo artístico, a desobediência civil, as práticas decoloniais, a resistência quotidiana e a contestação dos sistemas dominantes de poder, evidenciando o papel das artes e do cinema como espaços privilegiados para imaginar novas formas de ação coletiva. A edição de 2026 afirmou-se, assim, como um espaço de encontro entre investigação, criação artística e debate público, reforçando o compromisso da Porto Summer School on Art & Cinema com a reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos e com a construção de um programa internacional que cruza arte, cinema e pensamento.