Spring Seminar 2024 · História(s) da arte

Spring Seminar 2024 · História(s) da arte - Apresentação

Imagem: Rosângela Rennó, Experiência de Cinema, MAM, 2005. © Ding Musa

História(s) da arte
Spring Seminar 2024

 
Maio 8-10, 2024
Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa

Call for Papers: 26 de fevereiro de 2024.
Publicação dos resultados: 04 de março de 2024.
Formato: preferencialmente presencial, com número limitado de comunicações online
Línguas: inglês e português
 

Conferencistas e artistas convidados
Cyril Schäublin
Erika Balsom 
Jesus Carrillo
Joana Cunha Leal
Rosângela Rennó  

 
No final do século XX, Jean-Luc Godard elaborou suas História(s) do cinema. O trabalho do cineasta francês explicitava, através desse plural entre parênteses, que não seria mais possível pensar o cinema em uma única história. Eram várias as histórias. Definia, assim, a tônica de um pensamento para a arte, especialmente no século XXI, que este Spring Seminar irá investigar: a pluralidade na relação com a história.

O objetivo do seminário é pensar a historicidade das obras de arte depois do fim das tradições que pretendiam, de modo totalizante, fixar o seu sentido cronologicamente. Trata-se, agora, de examinar estratégias de articulação visual de uma memória subterrânea e em permanente processo de reconstrução. Por oposição a uma rejeição da história, a pergunta que se coloca é sobre as possibilidades da sua atualização crítica. O que se pode encontrar nas ruínas do passado? Apenas melancolia? Ou delas solta-se (como pensava Benjamin) a energia do presente? E que faz o presente a essas ruínas que ainda se podem escutar?

Autores como Walter Benjamin, Aby Warburg, Didi-Huberman ou Claire Bishop, entre outros, têm procurado pensar maneiras de relacionar certas práticas artísticas com o fazer da história, mas também pensado como a montagem e relação entre obras de arte afeta a sua história prescindindo de qualquer ordenação temporal. Benjamin, por exemplo, afirmava que cada obra de arte funda sua própria pré e pós-história, ou seja, não apenas se insere numa história prévia, mas inventa para si uma história, que reivindica a sua crítica.

Nas artes, a ideia de um atlas das imagens aparece por exemplo no trabalho de Akram Zaatari, que cataloga documentos, pensando a relação entre ficção e acontecimento. Ou em artistas como os Ariella Aisha Azoulay, Arthur Jaffa, Atlas Group, Dayanita Singh, Isaac Julien, Kadder Attia, entre outros, cujas práticas artísticas têm desafiado não só o modo como se conta a(s) história(s), mas contribuído para uma reformulação do modo como a(s) história(s) é construída.

No cinema contemporâneo, tem sido recalibrado o género do filme histórico, aparecendo propostas que, mais do que serem fiéis retratos museológicos, são reinvenções que confusamente libertam o tempo das tradições históricas (por exemplo, Transit, Christian Petzold; Unrest de Cyril Schäublin). Quais as operações possíveis da arte para tornar a história menos opressora e mais libertadora?

O poeta René Char já dizia que “nossa herança nos foi deixada sem testamento”. Esse verso permanece insigne para nossa experiência contemporânea. Não temos mais um testamento que determine a história: por um lado, isso pode resultar em desorientação, mas, por outro lado, oferece mais abertura dialética para se relacionar com o passado em aproximações surpreendentes. Em vez de excluir e restringir a história, trata-se de alargá-la.

Neste contexto serão aceites propostas de diferentes áreas de pesquisa (prática ou teóricas) para pensar como certas pesquisas artísticas — artes, cinema, estudos culturais, estudos de performance, filosofia, história da arte, literatura, música, sociologia da arte, entre outas — têm contribuído para alterar os modelos de construção não só da história da arte, mas de todas as narrativas históricas.

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