10 FEV 2020 - 13 FEV 2020
Este curso/seminário pretende discutir os desafios e os limites da curadoria hoje. Há já algum tempo tem sido apontada uma presença destacada da curadoria (e dos curadores) no mundo da arte. Desde a atuação pioneira de Harald Szeemann que junto ao gesto criativo do curador surge também um risco de arbítrio conceitual. A acusação de que as exposições se transformaram elas mesmas em obras de arte é parte desta condição ambivalente das curadorias.
Para tratar desta situação vamos dividir o seminário em três sessões em que discutiremos os aspectos estéticos e críticos das curadorias, tomando a montagem como seu gesto determinante.
PROGRAMA
10 FEV 2020, 18h00 - 21h00
Estética
em uma sociedade marcada pela espetacularização, pela publicidade e pelo consumo, como lidar com a dimensão estética da arte, sem com isso afirmar as formas instituídas de captura?
11 FEV 2020, 18h00 - 21h00
Crítica
Atuando no interior das instituições, como preservar nas curadorias alguma potência crítica? Que forma de crítica é possível imaginar em exposições museológicas? Como deslocar a crítica institucional para uma possível institucionalidade crítica?
13 FEV 2020, 15h00 - 18h00
Montagem
Assumindo-se a curadoria enquanto desdobramento da função crítica, pensaremos a montagem enquanto escrita no espaço. Escrita que combina discursividade e sensorialidade, experimentação e experiência.
Na primeira sessão discutiremos elementos conceituais inaugurados pela estética kantiana e que se desdobram nas obras de Adorno e Rancière. Na segunda sessão, discutiremos a renovação crítica e curatorial de Harald Szeemann e John Berger. No terceiro encontro, pensando a montagem como gesto criativo analisaremos as experiências radicais de Godard (principalmente em História(s) do Cinema) e as intervenções composicionais e relacionais de Bruno Latour e Nicolas Bourriaud.
LUIZ CAMILLO OSÓRIO
Professor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio, investigador do CNPQ e curador do Instituto PIPA. Entre 2009 e 2015, foi Curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 2015, foi o curador do pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza. Em 2016 fez a curadoria da exposição “Calder e a arte brasileira”, no Itaú Cultural e em 2017, a curadoria do 35º Panorama da arte brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo, museu ao qual pertenceu ao conselho de curadoria, entre 2006 e 2008.