Técnicas de Desconfinamento · Ciclo de Cinema e Videoarte (Programa Completo)

03.06.2020 17:00 — 01.07.2020 16:00

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03.06.2020 17:00 01.07.2020 16:00 Técnicas de Desconfinamento · Ciclo de Cinema e Videoarte (Programa Completo) Link: https:///pt/central-eventos/tecnicas-desconfinamento-ciclo-cinema-e-videoarte-programa-completo

Como Chegar / How to Arrive
Universidade Católica Portuguesa - Porto
 
Stills de The Museum is Free de Olivier Cheval, Erwartung de Pedro Huet e Evergreen de Sasha Litvintseva
 
Técnicas de Desconfinamento
Ciclo de Cinema e Videoarte
Quartas-feiras · 03 JUN a 01 JUL · 17H · Facebook EA
 
À medida que regressamos progressivamente a uma certa ideia de normalidade, urge alargar o espectro do conceito de confinamento e questionar a própria definição de normalidade na sua componente ideológica. O conjunto de filmes e obras de videoarte que propomos ensaiam, de formas diferentes, a ruptura dos diferentes confinamentos que definem e condicionam a sociedade contemporânea – e que nos ensinam diferentes formas de abordar o real.
 
As sessões serão transmitidas no Facebook da EA e estarão disponíveis durante 24H. Face a um modelo de apresentação digital, propomos um olhar sobre as plataformas tecnológicas que escrevem uma experiência digital do real. Uma importante parte das nossas vidas passa por estas plataformas, que foram escritas de acordo com os princípios da ordem produtiva da sociedade positivista (depois de um primeiro momento em que a Internet global parecia ser uma possibilidade utópica). Elas definem nesse sentido uma janela sobre o real que não é isenta, nem neutra.
 
O museu da violência de The Museum is Free leva-nos a questionar a forma como as tecnologias da informação normalizam as imagens de violência e sobre a possibilidade de redenção moral nesta era. Tal como Organic Machinery, que propõe um questionamento sobre o potencial da Inteligência Artificial desenvolver qualidades morais. Tal reflexão não se dirige apenas a uma IA da ficção científica, mas podemos deslocá-la à macroestrutura de algoritmos (hoje muitos deles são informados por IA) que têm cada vez mais a capacidade de tomar “decisões” autónomas/automáticas. 
 
A segunda sessão propõe uma reflexão sobre como as plataformas tecnológicas invadiram e redefiniram as relações pessoais e o espaço íntimo de cada um. Erwartung ensaia a ansiedade que antecipa um determinado evento – poderá ser um telefonema, uma mensagem, etc. Por outro lado, Sala Vazia apresenta-nos uma relação que se desenvolve através de janelas de chat, tornando visível um distanciamento espectral que se espalha.
 
O digital assume também uma maior relevância como arquivo do mundo em Evergreen. A documentação constante do património (património natural incluído) evidencia uma obsessão com o desenvolvimento de um modelo e de um registo exaustivo do real – terá de ter talvez a dimensão (virtual) do próprio mundo como imaginava Borges. Levantam-se duas questões: de que forma é que o constante pensamento do arquivo e partilha (p.e. via redes sociais) transforma a nossa experiência do real; e até que ponto este registo nos protege da aterrorizadora perda de memória. 
 
O ciclo encerra com um filme que propõe uma perspetiva não-eurocêntrica sobre a nossa relação com a natureza. Água Forte é uma composição sensorial e imersiva que medita sobre a ontologia do mundo – uma história de criação em que humanos e os elementos naturais coexistem entranhados entre si. Permitindo uma contemplação profunda e vibrante de elementos naturais, no encontro e choque com a natureza, o nosso lugar nela aparece mais evidente, revelando a inconsistência da dicotomia ocidental natureza/cultura.
 
Esta é uma proposta sensível sobre a construção social de exteriores aos quais apenas podemos aceder através de mediação. Haverá sempre meios novos para nos confirnarmos e sermos confinados. Contudo, acreditamos que estes filmes nos podem ajudar a vislumbrar essa fenda do real, numa delicada tensão entre o fora e o dentro. 
 
João Pedro Amorim