Igor Jesus · Banho Maria

17.02.2022 19:30 — 14.04.2022 19:00
Edifício das Artes / Arts BuildingCampus Foz

Ao clicar aqui, o conteúdo irá ser traduzido pelo Microsoft Translator.
By clicking here, the content will be translated by Microsoft Translator.

17.02.2022 19:30 14.04.2022 19:00 Igor Jesus · Banho Maria Link: https:///pt/central-eventos/igor-jesus-banho-maria

Como Chegar / How to Arrive
Universidade Católica Portuguesa - Porto | Campus Foz


 

Exposição
Banho Maria
Igor Jesus

17 FEV – 14 ABR 2022
Sala de exposições da EA

Abertura: 17 de fevereiro às 19h30

A nova exposição que ocupará a Sala de Exposições da Escola das Artes é protagonizada por Igor Jesus, que foi, em 2020-21, um dos artistas convidados da EA. "Banho Maria" apresentará uma série de novas obras do artista, com curadoria de Nuno Crespo.
 
Banho-maria é um nome que serve para descrever muitos procedimentos que vão desde a química, a processos industriais (farmácia, cosmética, etc.) até à culinária. Independentemente do âmbito da sua aplicação, banho-maria designa um processo de aquecer lentamente uma substância líquida ou sólida que está dentro de um recipiente que é colocado dentro do interior de outro recipiente fechado onde se liberta vapor de água. E é este vapor que aumenta a temperatura das diferentes substâncias com a especificidade de ser um processo muito preciso e exigente do ponto de vista do controlo dos diferentes elementos manipulados.
 
E é esta possibilidade de transformação alquímica, surpreendente e muito radical que interessa a Igor Jesus. Não lhe interessa inscrição no campo da alquimia, mas essa transformação serve-lhe como metáfora para se aproximar de um processo muito elaborado de relacionar e transformar imagens em sons, em escultura, em espaço.
 
A aproximação que o projeto Banho Maria materializa relativamente àquele processo alquímico deve-se a um entendimento que o artista tem vindo a desenvolver nas suas obras em que as imagens e os objectos artísticos são, sobretudo, modos de captar energias. Para este artista nunca se trata de representar uma coisa, uma pessoa, ou uma outra coisa qualquer, mas encontrar dispositivos que alterem energeticamente o mundo e, claro, os sujeitos que experimentam as suas obras. Uma experiência imersiva, porque cada projecto deste artista puxa-nos para zonas de experiência em que todas as forças humanas são activadas: sensibilidade, imaginação, entendimento e razão (para fazer justiça a Kant e à matriz descritiva das forças que compõem a inteligência humana).
 
Isto não faz de Igor Jesus um artista xamânico, mas apresenta-o como alguém dedicado a identificar o que acontece nas zonas habitualmente inacessíveis ao olhar humano e onde só chegamos através de certos dispositivos como, por exemplo, uma câmara fotográfica. Por isso, neste projecto ele apropria-se do livro de imagens de H. Baraduc com o título muito sugestivo: The human soul. Its movements, its lights and the iconography of the fluidic invisible (1896). 
 
Independentemente do projecto preciso de construção de imagens aqui em causa – imagens produzidas através do contacto directo de um corpo com uma placa química para reduzir ao máximo a latência – o que interessava a este explorador do paranormal – que foi como ficou conhecido – era capturar através de instrumentos mais precisos que o olhar humano os sentimentos, os pensamentos, o que emana de uma alma humana, as suas energias. Baraduc nunca entendeu o seu trabalho como sendo fotográfico – que no seu tempo necessitava da intervenção da luz solar -, mas sim como uma muito especial iconografia dos fluídos invisíveis. E é precisamente esta iconografia do invisível que Igor Jesus toma em mãos e tenta transformar uma experiência simultaneamente visual, sonora e escultórica.
 
O interesse de Igor jesus pelo imaterial e pelos espíritos vem desde cedo no seu trabalho – pelo menos desde o vídeo My father died in the year I was born (2014) em que o artista realiza uma sessão espírita -, mas neste novo projecto o que o artista constrói é uma espécie de destilaria de imagens: as imagens dos fluidos de Baraduc são projectadas num ecrã, depois neste ecrã um conjunto de células fotossensíveis interpretam a luz emanada por cada imagem e transforma essa luz da projecção em som. Um processo de sonificação ou, se se preferir, de tradução do visível em audível.

Curadoria: Nuno Crespo


TER – SEX · 14H00 – 19H00
Sala de Exposições da Escola das Artes
ENTRADA LIVRE*

*O acesso à exposição é condicionado às seguintes regras:

  • Utilização obrigatória de máscara
  • Desinfecção das mãos com álcool-gel à entrada (disponível no local)
  • Distanciamento social obrigatório de dois metros entre visitantes
  • Lotação limitada a cinco visitantes em simultâneo
  • Duração máxima por visita de trinta minutos 

 


BIOGRAFIAS
 
Igor Jesus
Igor Jesus (1989) vive e trabalha em Lisboa. Licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a sua prática é diversa, partindo da sua formação escultórica para um percurso onde faz uso indistinto da pintura, vídeo, fotografia, escultura ou instalação. Foi um dos artistas visitantes da Escola das Artes em 2020/2021.
Realizou as exposições individuais Chessari na Solar Galeria de Arte Cinemática; A última carta ao Pai Natal na Galeria Filomena Soares e Debaixo do Sol na Appleton Square, Lisboa.  Participou em diversas exposições colectivas em 2016 nomeadamente: Karin Sander, Igor Jesus and Igor Bosnjak, Artist’ Film International, Whitechapel Gallery, Londres, UK; Artist’ Film International, MAAT – Museu Arte, Arquitectura, Tecnologia, Lisboa; Abaixo as Fronteiras! Vivam o Design e as Artes!, MUDE, Sala do Risco/Pátio da Galé, Lisboa; Topología del Aura, Galería Bacelos, Madrid, Espanha.
 
 
Nuno Crespo
Atual Diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, é licenciado e doutorado em filosofia pela Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. As suas atividades de investigação têm sido dedicadas ao cruzamento entre arte, arquitetura e filosofia e às possibilidades de exercício do pensamento crítico. Tem dedicado artigos a autores como Adolf Loos, Aldo Rossi, Kant, Peter Zumthor, Wittgenstein e Walter Benjamin. Das suas publicações podem destacar-se trabalhos sobre Adriana Molder, Aires Mateus, Axel Hütte, Bernd e Hilla Becher, Candida Höfer, Daniel Blaufuks, Fassbinder, Gerhard Richter, Luisa Cunha, Pedro Costa, Rui Chafes, Vasco Araújo, entre outros, e os livros “Wittgenstein e a Estética” e “Julião Sarmento. Olhar Animal.” Em prolongamento das suas atividades de investigação é crítico de arte e fez a curadoria de diversas exposições.

Visita Virtual


Fotos da Inauguração
© Rodrigo Rodrigues


 
 
Organização
 
Este projeto é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projecto Ref.ª UID/00622/2020.
 
 
Este projeto foi desenvolvido no âmbito do projeto NORTE-01-0145-FEDER-022133, cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Norte (NORTE 2020), através do Portugal 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
 
 
Apoio