Arte e Ciência | Marta de Menezes · Arte e Biologia: De onde vimos? Quem somos? Para onde vamos?

20.02.2020 18:30
Auditório Ilídio Pinho | Edifício das Artes / Arts Building

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Arte e Ciência | Marta de Menezes · Arte e Biologia: De onde vimos? Quem somos? Para onde vamos?
Auditório Ilídio Pinho
20 FEV ·  18H30
ENTRADA LIVRE
 
Nos últimos vinte anos Marta de Menezes tem trabalhado em investigação e prática artística, na intersecção de arte e ciência.
Esta aula aberta vai focar-se na articulação entre projectos de arte contemporânea que exploram colaborações com biologia e trabalham o uso do meio vivo como matéria para expressão artística, com foco especial nos seus mais recentes trabalhos da artista/investigadora sobre questões de identidade, manipulação genética e ética.
 
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A actividade de Marta de Menezes ocorre na fronteira entre a arte e a biotecnologia e contribui para a transformação profunda da prática artística e da prática científica. Marta de Menezes cientifica conceitos artísticos e artealiza objetos de ciência. Uma das possibilidades de analisar os seus projectos é encontrar neles as ressonâncias dos campos da arte e da história. A artista explora, por exemplo, um género histórico, o retrato, mas, em vez de representar figuras ou rostos, apresenta retratos da actividade cerebral dos sujeitos, através da ressonância magnética; também explora a disciplina da escultura, mas as suas esculturas são sistemas celulares em permanente mutação; explora ainda algo inerente ao objecto artístico, o seu envelhecimento e a sua degradação, mas com recurso a processos bacteriológicos que destroem as obras durante o tempo da sua exposição. 
 
Outra possibilidade de abordagem ao seu trabalho visa perceber o que ele partilha com as práticas artísticas contemporâneas. A título de exemplo: a exploração do território tradicionalmente exterior ao artístico e a apropriação de métodos de outras áreas disciplinares; o uso de sistemas e não meras ferramentas; a dimensão colaborativa da criação que, no seu caso, se concretiza através da participação de cientistas; a problematização das questões da autoria que têm nos seus projectos, matéria fértil de reflexão. Mas o que define a sua obra são materiais e procedimentos alheios às convenções da arte, são os organismos vivos que nascem e morrem, que crescem e se degradam, que se auto-regeneram. Do seu vocabulário artístico, fazem parte termos como bactérias, moléculas, células, genes, proteínas. A vida é a sua matéria e o seu meio. 
 
Assim se percebe que tenha intitulado esta palestra "Arte e Biologia: De onde vimos? Quem somos? Para onde vamos?" perguntas que inquietaram artistas (lembrem-se Gauguin, Munch, Carneiro) e cientistas. Marta de Menezes integra a linhagem dos que se interrogam acerca da natureza, dos que investigam as múltiplas possibilidades de a refundar, reconstruir, refazer, através da biotecnologia, dos que procuram a origem, a deriva e o futuro da condição humana. Ao tema nuclear do seu trabalho estão associados conceitos como os de impermanência e indeterminação, bem como processos de decisão, selecção e manipulação. Portanto, por detrás da fachada poética que o uso artístico da ciência e o uso científico da arte, propõem, estão em jogo questões de poder, questões políticas e questões éticas. 
 
No limite, o que nos propõe a sua actividade híbrida, desenvolvida entre os protocolos da ciência e os protocolos da arte, é a possibilidade da anulação do pensamento binário em que fomos formados e que opõe a natureza à cultura, a natureza à técnica, o natural ao artificial. E tanto lhe interessa o que conduz do natural ao artificial, como o que reverte o artificial de regresso ao natural. O mesmo é dizer que lhe interessam todos os processos de identidade mutante.
 
Laura Castro

 

 

Podes consultar aqui o programa de Aulas Abertas da Escola das Artes para o ano letivo de 2019-20, sob o tema “Arte e Ciência”.

 

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MARTA DE MENEZES

Marta de Menezes (Lisboa, 1975) é licenciada em Belas Artes pela Universidade de Lisboa, e tem um mestrado em História de Arte e Cultura Visual pela Universidade de Oxford. Nos últimos anos tem vindo a explorar a interacção entre Arte e Biologia, trabalhando em institutos de investigação científica demonstrando que as tecnologias biológicas podem ser utilizadas como media para criação artística. Em 1999 Marta criou o seu primeiro projecto de arte biológica (Nature?) ao modificar o padrão das asas de borboletas vivas. Desde então tem utilizado diferentes técnicas biológicas incluíndo Ressonância Magnética Funcional do cérebro para criar retratos onde a mente pode ser observada (Functional Portraits, 2002); fragmentos de ADN fluorescentes para criar micro-esculturas no núcleo de células humanas (NucleArt, 2002); esculturas feitas com ADN (Inner Cloud, 2003) ou com neurónios vivos (Tree of Knowledge, 2005) e pinturas degradadas por bactérias (Decon 2007). O trabalho da artista tem sido apresentado internacionalmente em exposições, publicações e palestras.