Ricardo Jacinto

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18 JUN · 18H30 · Ricardo Jacinto
Ricardo Jacinto · Medusa — Solo para Violoncelo, Eletrónica e Objetos Ressonantes

Performance

 
Moderador · José Alberto Gomes
 
Esta sessão será em Português.

Servindo-se de um sistema de amplificação sonora distribuído por diferentes pontos do violoncelo, Ricardo Jacinto explora possibilidade de fragmentação e dispersão sónica dos seus gestos no corpo do instrumento. No decorrer das improvisações, a “explosão” do violoncelo é articulada com a auscultação do espaço acústico e da paisagem sonora circundantes. — www.osso.pt/projectos/medusa.


Depois de em 1988 descer a uma cisterna subterrânea para uma gravação, Pauline Oliveros cunhou o termo Deep Listening. A experiência em gravar som num espaço com uma identidade poderosa e impossível de ignorar levou ao desenvolvimento de uma estética apoiada na improvisação, música eletrónica, e meditação que inspira a prática da criação musical às condições ambientais, acústicas e sociais. Há uma magia geralmente escondida no relacionamento entre músico, instrumento e ambiente de performance.

A interação cirúrgica entre o performer, o seu toque único e pessoal, e a resposta às resistências da física do espaço e recursos do corpo, são o que torna um som especial, convincente e objeto de expressão. O contexto em que esta dança ocorre, adiciona outra camada complexa de interações. Ou seja, o ambiente em que algo acontece contribui significativamente para o som que é produzido, dentro e ao redor do espaço, e isso, por sua vez, forma um feedback sensorial para o músico, informando suas decisões momento a momento. É também através desta maior consciência dos potencialidades do espaço físico, que a tecnologia aparece como parte ativa na experiência enquanto mediador e potenciador, atenuando os limites humanos e dos objetos, gestos e tempo elevando-os trazendo um elemento como que mágico para a performance. 

Ricardo Jacinto traz-nos esta obra performática onde, através do seu (híper)violoncelo desafia as fronteiras das disciplinas da performance musical, a instalação e arte sonora onde são criados diálogos sobre som, espaço e intimidade refletindo a condição permeável entre artista, instrumento e ambiente.

José Alberto Gomes


BIO
Músico, artista plástico e arquitecto com pesquisa artística e académica focada na relação entre som e território em práticas transdisciplinares. É membro fundador e co-director artístico do colectivo OSSO e é doutorado pelo Sonic Arts Research Center, Queens University Belfast. Desde 1998 tem apresentado seu trabalho em exposições individuais e colectivas, concertos e performances em Portugal e Europa, e tem colaborado extensivamente com outros artistas, músicos, arquitetos e performers. A sua música foi editada pela Clean Feed, Shhpuma Records e Creative Sources. É representado pela Galeria Bruno Múrias e as suas instalações estão presentes em várias coleções nacionais: Fundação de Serralves, Caixa Geral de Depósitos, Fundação Leal Rios or Fundação António Cachola. Foi co-representante de Portugal na 10a Bienal de Veneza de Arquitectura 2006 e o seu trabalho foi apresentado em diferentes locais como a Culturgest (Lisboa e Porto), Fundação de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Palais de Tokyo, Mudam_Luxembourg, Teatro Maria Matos, Museo Vostell, Casa da Música, CCB, Manifesta 08_European Bienal of Contemporary Art, Frac Loraine_Metz ou OK CENTRE_ Linz, entre outras.

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