22 JUN · 17 H
Auditório Carvalho Guerra |
Candidata: Lorena de Oliveira Chagas
Júri:
Presidente: Professor Doutor Nuno Alexandre Coimbra Crespo
Arguentes:
Doutora Patrícia Cristina Figueira Gouveia
Doutor Flávio Santos da Conceição
Esta dissertação investiga onde e como o empoderamento surge na prática teatral, examinando os processos através dos quais tanto artistas como espectadores constroem agência nas condições contemporâneas moldadas pelas tecnologias digitais, tensões pós-coloniais e estruturas biopolíticas e necropolíticas. O estudo examina como as práticas artísticas produzem, negociam ou inibem o empoderamento. Baseada num paradigma transformativo que rejeita alegações de neutralidade, a tese parte do lugar de fala da autora como mulher brasileira mestiça do Sul Global, mobilizando epistemologias descoloniais, o «terceiro espaço de enunciação» e simbolismos afro-diaspóricos, como AYA, para enquadrar o empoderamento como um processo contextual, historicamente informado, culturalmente incorporado e artisticamente viável.
Esta tese examina cinco projetos artísticos desenvolvidos durante o doutorado — três peças originais e duas oficinas de teatro — por meio de uma estrutura cíclica e espiralada inspirada em conceitos afro-diaspóricos. Esta pesquisa investiga como artistas e espectadores experimentam, articulam e negociam o empoderamento em contextos teatrais específicos, usando essas obras artísticas como seu principal campo de investigação. Através de métodos mistos que incluem feedback quantitativo e qualitativo, observação do público e ferramentas exploratórios baseadas na neurociência, o estudo analisa as condições que incitam a agência e a espectatorialidade em cada projeto. Também reflete sobre como a criação artística pode funcionar como um espaço de resistência, reinvenção e autodeterminação dentro dessas práticas. Em vez de estabelecer conclusões universais, a dissertação extrai insights diretamente dessas experiências artísticas, contribuindo para discussões mais amplas sobre como o teatro pode promover a agência no presente e no futuro que ajuda a imaginar.
Em última análise, a tese argumenta que o empoderamento no teatro não surge apenas da interatividade, mas de práticas éticas, estéticas e relacionais que cultivam a autonomia, a imaginação crítica e a possibilidade coletiva. Por meio das lentes simbólicas de Ubuntu (para começar) e Iroko (para terminar), o trabalho afirma uma compreensão cíclica e comunitária da investigação artística, onde novos futuros brotam do conhecimento ancestral e da responsabilidade partilhada de artistas e espectadores em criar significado juntos.
Palavras-chave: Empoderamento; Estética do oprimido; Espectatorialidade; Pesquisa em artes, Teoria Decolonial, Práticas Teatrais Participativas
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