João Canijo (1957–2026)

Sexta-feira, Janeiro 30, 2026 - 12:03
João Canijo - pesar


Foi com enorme tristeza que a Escola das Artes e a sua comunidade tomaram conhecimento do falecimento do seu professor e cineasta João Canijo, aos 68 anos.

Além de professor, João Canijo participou ativamente na abertura da área do Cinema na Universidade Católica Portuguesa A singularidade do seu olhar, a exigência ética e artística com que pensava o cinema e a generosidade com que partilhava a sua experiência marcaram profundamente várias gerações de estudantes, deixando uma memória duradoura na vida da Escola.

Nascido no Porto, em 1957, João Canijo frequentou o curso de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. No início da década de 1980, descobriu a sua vocação para o cinema, iniciando-se como assistente de realização em filmes como Der Stand der Dinge / O Estado das Coisas (1982), de Wim Wenders, Fim de Estação (1982), de Jaime Silva, O Desejado (1987), de Paulo Rocha, e A Caixa (1994), de Manoel de Oliveira, onde descobriu a importância da sua exigência formal.

Na segunda metade dos anos 1980, realizou duas longas-metragens, Três Menos Eu (1987) e Filha da Mãe (1990), onde iniciava uma colaboração muito próxima com Rita Blanco. Ao longo de mais de quatro décadas, construiu uma filmografia central no cinema português contemporâneo, destacando-se títulos como  Sapatos Pretos (1998), Ganhar a Vida (2001), Noite Escura (2004), Sangue do Meu Sangue (2011), ou Fátima (2017), perscrutando os interstícios das profundas transformações sociais de Portugal, e das suas persistentes formas de violência.

A sua última obra concluída em vida, o díptico  Mal Viver / Viver Mal (2023), foi apresentada no Festival Internacional de Cinema de Berlim, tendo Mal Viver sido distinguido com o Urso de Prata – Prémio do Júri, um dos mais importantes prémios das últimas décadas no cinema português. Tinha agora terminado a rodagem daquela que será a sua última longa-metragem, Encenação.

A Escola das Artes presta homenagem a João Canijo, reconhecendo o seu contributo ímpar para o cinema português e para a formação artística e humana dos seus estudantes. À família, amigos, colaboradores e a todos os que com ele trabalharam, endereçamos as mais sentidas condolências.

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