Stills de The Museum is Free (2015) de Olivier Cheval e Organic Machinery (2017) de Diogo Evangelista
Técnicas de Desconfinamento
Ciclo de Cinema e Videoarte
Ciclo de Cinema e Videoarte
Programa completo do ciclo disponível aqui.
Sessão #1 · 3 JUN · 17H · Facebook EA
The Museum is Free · Olivier Cheval · 2015 · 9 min
Organic Machinery · Diogo Evangelista · 2017 · 17 min
Na primeira sessão deste Ciclo de Cinema e Videoarte iremos ver "The Museum is Free" de Olivier Cheval e "Organic Machinery" de Diogo Evangelista. Estes dois trabalhos ajudar-nos-ão a pensar o papel das imagens na criação de uma espécie de isolamento tecnológico. Os filmes foram antecedidos de um ensaio audiovisual, uma introdução e um depoimento de Olivier Cheval.
A sessão esteve disponível no Facebook durante 24 H e pode ser vista agora aqui em três vídeos: Introdução,The Museum Is Free e Organic Machinery. [Sinopses dos filmes e notas biográficas abaixo]
Sinopses
The Museum is Free · Olivier Cheval · 2015 · 9 min
Num longo travelling, acompanhamos um avatar feminino ao longo do museu virtual da violência. Através dos olhos da figura fictícia, os espectadores da instalação vídeo vêm fotos e provas cinematográficas, já iconizadas, da violência e horrores da história dos EUA pós 1945. Não apenas os bombardeios atómicos de Hiroshima e o assassinato de Kennedy, mas também imagens da Guerra do Vietname, provas do 11 de setembro e os flashes de luz verde que ilustram os ataques aéreos na Guerra do Iraque. Vemos como as influências instrumentais e os códigos imagéticos de documentação mudaram ao longo dos últimos setenta anos. Com crescente consternação, o avatar vê um massacre de polícias do jogo GTA (Grand Theft Auto) na última sala do museu, convertido em vídeo de propaganda jihadista por via da banda sonora. Pelo menos é o que lemos nas suas expressões faciais. Num mundo abandonado pela nossa vontade de destruir, a figura computorizada fictícia sofre com a representação da violência humana. Em Olhando o Sofrimento dos Outros, Susan Sontag perguntava se o uso de imagens de horror teria a capacidade de gerar empatia, algo em que a autora acreditava. No trabalho de Cheval, surge agora a questão de saber se a inteligência artificial é capaz de obter uma participação emocional semelhante ao visualizar imagens.
Hermann Nöring, curator of European Media Art Festival
Organic Machinery · Diogo Evangelista · 2017 · 17 min
… as emoções são mecanismos bioquímicos que não têm
por base a
intuição, a imaginação ou a
liberdade.
Baseiam-se, apenas e somente, em cálculos.
Organic e Machinery são dois conceitos distintos.
Estamos a investir para que, cada vez mais, pareçam fundidos
e que a nossa interação se torne (mais) intimamente mecânica.
Os algoritmos da Data.biz, informados por um fluxo constante de dados
biométricos,
monitorizam-nos transversalmente.
O personagem sintético que nos induz a viagem intergalática em
Organic Machinery (video), activa esta capacidade secreta.
Através dos nossos dados a interação entre agentes artificiais e humanos tornou-se praticamente indistinguível.
Passámos a dominar todos os estados emocionais…
[Excerto do texto da exposição na Galeria Francisco Fino: https://www.franciscofino.com/w2/pt-pt/wk/organicmachinery/]
Notas Biográficas
OLIVIER CHEVAL
Página pessoal
Página pessoal
Nascido em 1988, Olivier Cheval formou-se em 2015 nas Beaux-Arts de Paris, onde começou a conceber instalações de vídeo, por vezes contemplativas e melancólicas, em torno de viagens e desvios urbanos, às vezes críticas e perturbadoras, em torno da vídeovigilância, das imagens da guerra e do imaginário do terror. Trabalhos seus esteveram já presentes em grandes eventos artísticos contemporâneos (European Art Media Festival em Osnabrück, Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo em Tirana, Nuit Blanche em Paris). Realizou os seus dois primeiros filmes de ficção na Le Fresnoy, Le Songe de Lady Hamilton em 2018 e Rose Minitel em 2019. Olivier Cheval é também montador de filmes e doutorado em Letras e Artes. Presentemente, ele ensina é professor de escrita de argumento na Universidade Paris 8 e escreve regularmente sobre arte, cinema e literatura, principalmente nas revistas Trafic e Débordements.
DIOGO EVANGELISTA
Diogo Evangelista vive e trabalha em Lisboa. O seu trabalho reflete sobre o estatuto da imagem e o seu potencial como veículo contracultural. Tendo como ponto de partida materiais apropriados e de arquivo, produz narrativas não lineares e pontos de vista especulativos acerca do real.
Exposições recentes incluem: Espaço de Fluxos (ZDB, Lisboa, 2017) Utopia/Dystopia (MAAT, Lisboa, 2017), The Eighth Climate (What Does Art Do?) (11th Gwangju Biennale, 2016), Matter Fictions (Museu colecção Berardo, Lisboa, 2016 ), Hyperconnected (5th Moscow International Biennale for Young Art, Moscovo, 2016), Magician's Right Hand, (Futura, Praga, 2016 ) and Hybridize or Disappear (Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa, 2015). As one hand touches the other (Videoex, Zurique, 2015), between the spider and the mind there is a hand - Outdoor I (Warm, São Paulo, 2015), Grotto-Heavens ( CAC, Vilnius, 2014). BES Revelação (Museu de Serralves, Porto, Portugal, 2014).The World of Interiors (The Green Parrot, Barcelona, 2014).