Corpus / σώμα · Cineclube EA

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Cineclube 2020-21

Equipa do Cineclube EA 2020/21
Benjamim Gomes
Diogo Pinto
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Carlos Natálio
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PROGRAMA

25 MAI 2021, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
Pumping Iron
de George Butler e Robert Fiore
Estados Unidos da América, 1977, 86'

01 JUN 2021, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
Dans ma peau
de Marina de Van
França, 2002, 86'

08 JUN 2021, 18h30 | AUDITÓRIO ILÍDIO PINHO
La Piel que Habito
de Pedro Almodóvar
Espanha, 2011, 120'

 

25 MAI 2021 - 08 JUN 2021
Programação de Diogo Pinto

Let's get physical

O artista português Julião Sarmento afirmou, em entrevista, que o tema do corpo era para ele importante dado ser um dos poucos temas que ainda não fora reduzido ao clichê, sublinhando a representação do corpo enquanto constante da história da arte.  Com efeito, e como afirma Ieda Tucherman, “o corpo pertence ao conjunto de categorias mais persistentes na cultura ocidental” (1), pelo que a diversidade de entendimentos do corpo refletem (e também condicionam) o modo de pensar o Homem e a sociedade. 

Assim, procurei, com este ciclo, espelhar a multiplicidade de visões sobre o corpo que têm acompanhado a História, focando-me em três paradigmas principais, que explicarei.

Destaco, primeiramente, a visão clássica greco-romana do corpo. Para um Grego, “o ser está na physis” (2), ou seja, na natureza, “no mundo em que estamos” (3), que é, na sua mundividência, um mundo ordenado e organizado, belo. Ora, por brotar desde mundo organizado, o corpo do Homem Grego é também ele ordenado e belo. Como escreveu Píndaro: “Pela forma corpórea (...)/somos no entanto como os imortais/embora não saibamos onde”. Cabe ao indivíduo de descobrir a forma de chegar a este corpo ideal.

Esta ideia de um corpo trabalhado pelo indivíduo como um escultor trabalha a sua obra é central ao documentário Pumping Iron, que se foca no universo do culturismo da década de 1970, tendo como estrela um ainda atleta Arnold Schwarzenegger.

O Homem da Modernidade lida, no entanto, com a constatação de que não é um ser eterno ou universal, uma herança da crescente laicização das sociedades deste período. Na verdade, “o corpo existe no presente” (4), e o corpo de ontem é radicalmente diferente do corpo de amanhã. Constata-se que o corpo está condenado à finitude, a perecer. Ainda assim, os avanços científicos e da medicina possibilitaram um melhoramento e democratização dos cuidados de saúde, fazendo esquecer a inevitável condenação do corpo. De facto, um corpo são é “raramente experienciado. Apenas quando é danificado ou quando adoece, o corpo se faz presente” (5). Quase que poderíamos afirmar que a dor e a mutilação são a forma de escapar ao entorpecimento do corpo. 

Creio que os filmes da corrente New French Extremity, tão influenciados pelo body horror cronenbergiano, conjugam de forma ímpar a visceralidade com a insensibilidade que referimos. Selecionei Dans ma peau, em que a destruição do corpo (ou seja, o ato de o sentir) é realizada pelo próprio indivíduo, e não por um elemento externo.

Foi ganhando importância, no entanto, a ideia de uma utopia tecnológica, em que a ciência e a técnica tornariam a saúde e os cuidados médicos infalíveis. Aliás, o artista Stelarc é ainda mais radical, defendendo a substituição de todo o corpo (que considera obsoleto) pela tecnologia. Ainda que esta posição seja controversa, a ideia de um híbrido homem-máquina está já presente no nosso imaginário coletivo, ainda antes da publicação de The Cyborg Manifesto, de Donna Haraway, com o advento da ficção científica, e, numa escala mais quotidiana, no papel da nanotecnologia e das próteses na medicina moderna, por exemplo.   O corpo do futuro parece, então, ser um monstro frankensteiniano sem género, criado tecnologicamente.

Uma escolha algo óbvia para encerrar o ciclo seria uma obra enquadrada no universo cyberpunk, Optei, no entanto, por La piel que habito, um filme em que um corpo protésico alterado cirurgicamente é mais prisão do que libertação, talvez como forma de contrapor o otimismo de Donna Haraway.

Em jeito de conclusão, retorno à Antiguidade Clássica, de forma a nomear o ciclo. Corpus / σώμα faz referência às palavras latina e grega para corpo, ponto de partida de toda esta discussão. Como escreveu Murilo Mendes, “nunca mais escaparemos a esses Gregos”.

1 Tucherman, I. (1999). Breve História Do Corpo E Dos Seus Monstros. Lisboa: Vega

2 Breyner Andresen, S. (1975). O Nu na Antiguidade Clássica. O Nu e a Arte. Lisboa, Estúdios Cor.

3 Ibidem.

4 Tucherman, I. Ob cit.

5 Ibidem.

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