A partir de 13 de outubro, a Universidade Católica Portuguesa acolhe, na sua sede em Lisboa, a primeira Trienal de Arte das Universidades Católicas (ArtCut), organizada pelo Vaticano, a qual tem como comissário-geral o Cardeal José Tolentino de Mendonça e como curador-chefe Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes.
Promovida pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, a Trienal de Arte das Universidades Católicas é uma iniciativa internacional, que decorrerá em oito cidades de sete países e três continentes, ao longo de 2026 e 2027, reunindo sete universidades católicas, 104 artistas, 14 curadores e várias instituições culturais de todo o mundo.
O primeiro capítulo da ArtCut começa no Rio de Janeiro no Brasil, a 27 de agosto, seguindo-se Santiago do Chile (Chile, 3 de setembro), Bogotá (Colômbia, 9 de setembro), Boston (EUA, 23 de setembro) e Milão (Itália, 6 de outubro). Em Lisboa (Portugal), decorre de 13 de outubro a 15 de dezembro, depois será em Luanda (Angola, 29 de outubro) e, a terminar, Veneza (Itália).
À Universidade Católica Portuguesa, juntam-se, na trienal, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Brasil), a Pontificia Universidad Católica de Chile (Chile), a Pontificia Universidad Javeriana (Colombia), Boston College (EUA), a Università Cattolica del Sacro Cuore (Itália) e a Universidade Católica de Angola (Luanda) Angola.
Em Lisboa, estarão representados reputados artistas como Andreia Santana, Aires Mateus, Amadeo de Souza Cardoso, Ana Vieira, Augusto Alves da Silva, Carlos Bunga, Cristián Salineros F., Daniel Blaufuks, Délio Jasse, Dimakatso Mathopa, Francesca Woodman, Gordon Matta-Clark, Heidi Bucher, Helena Almeida, Irineu Destourelles, João Abel Manta, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Julião Sarmento, Lara Almárcegui, Maria Beatriz, Martha Rosler, Mona Hatoum, Nicolás Paris, Patrícia Garrido, Pedro Costa, Rafa Bqueer, René Tavares, Taysir Batniji, Vanderlei Lopes e William Eggleston.
Sob o tema «Exercises in Empathy», a ArtCut foi concebida como um projeto coletivo dedicado à criação artística, à investigação científica e ao diálogo, explorando o papel da arte na abordagem das questões mais urgentes do nosso tempo, através de exposições, encomendas artísticas, publicações e programas públicos. Ao reunir uma rede internacional de universidades e de diversos agentes, procura também refletir sobre o papel da educação universitária, das relações humanas e do conceito de empatia, dando corpo ao que o Papa Leão XIV afirma na Encíclica «Magnifica Humanitas», sobre as chamadas inteligências artificiais, que «podem simular empatia ou compreensão, mas não compreendem aquilo que produzem, porque não habitam o horizonte afetivo, relacional e espiritual em que o ser humano se torna verdadeiramente sábio» (MH, n.º 99). Assim, a ArtCut pretende ainda aprofundar, no espaço público, este debate em torno da salvaguarda da dimensão humana.
Neste sentido, o Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, recorda que, quando o Papa João Paulo II, naquela que é a Magna Carta das Universidades Católicas, as descreveu como centros de criatividade e de irradiação, estava a formular um programa que cada época é chamada a concretizar com renovada energia. A universidade, enquanto comunidade educativa, reforça a capacidade humana de criar — de gerar novas ideias, de organizar o que antes parecia fragmentado, de imaginar novas versões do mundo — e deve ser vista como um convite à participação num ato de cocriação, e não como um mero exercício técnico de repetição. Já o Papa Leão XIV, na «Magnifica Humanitas», incentiva as universidades a interpretarem criativamente a complexidade dos desafios atuais e a empenharem-se «em tornar mais justa e fraterna a vida das nossas sociedades» (MH, n.º 47).