Diretor da Escola das Artes é curador de exposição sobre o Maio de 68

Inaugura a 15 de maio, pelas 18h00, a exposição “O que pode a arte? 50 anos do Maio de 68”, que pretende celebrar meio século da revolução cultural e social que explodiu em 1968, na França. Esta exposição tem a curadoria de Nuno Crespo – o diretor da Escola das Artes – e Hugo Dinis. Estará patente no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, até 29 de setembro e inclui obras de Júlio Pomar, Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás da Cunha Ferreira.

 

Sobre a exposição

A exposição “O que pode a arte? 50 anos do Maio de 68”, com curadoria de Nuno Crespo e Hugo Dinis, inclui obras de Júlio Pomar, Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás da Cunha Ferreira, recordando e comemorando o 50º aniversário do movimento estudantil francês. Esta dinâmica revolucionária alastrou-se a vários sectores da sociedade, revelando-se um momento fundamental para a definição da vida contemporânea, não tanto em termos das alterações legislativas e políticas produzidas no imediato, mas sobretudo pelo modo como se foi questionando uma velha ordem social hierárquica estabelecida, classicista e autoritária. O Maio de 68 tornou-se no símbolo de uma nova ordem social, que não dizia respeito só às relações académicas, mas a todas as instituições sociais, políticas, económicas e culturais. 

A expressão artística deste movimento estudantil é um dos seus aspetos mais produtivos, tanto no cinema, como na literatura e nas artes visuais. Júlio Pomar, a viver em Paris nessa altura, e desde 1963, não ficou indiferente e, contaminado pelo espírito de 1968, fez um grupo importante de pinturas onde retoma uma certa ideia da articulação arte-política que lhe era tão próxima nos anos de 1940. 

Assim, “O que pode a arte? 50 anos do Maio de 68” além de mostrar o modo como Pomar testemunha directamente os movimentos estudantis, procura reflectir sobre como na obra deste artista há, desde o seu início na década de 1940, uma preocupação política que o mesmo nunca abandona. Segundo o próprio, numa conversa com Helena Vaz da Silva, e citada por Irene Flunser Pimentel [Júlio Pomar. O Pintor no Tempo, Documenta, Lisboa, 2018], foi o “espectáculo de uma cidade que discute, que está viva, o que nunca tinha visto na vida e era inesquecível” o que o mais marcou. E é esta ideia de vida que as suas pinturas tão bem mostram. 

“O que pode a arte? 50 anos do Maio de 68” não é uma exposição histórica, mas interroga o modo como a arte se deixa contaminar pela política e como essa contaminação é um território tão intenso para os artistas. Ao lado de Pomar, e de pinturas que realizou em anos tão diferentes como 1946 e 1968, são mostradas  obras de Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás da Cunha Ferreira, que não só dialogam com o universo do pintor, mas, sobretudo, se deixam tomar por esse espectáculo de uma cidade que se torna viva quando os cidadãos saem à rua e se transformam num corpo único, assumindo uma voz comum. Em conversa informal, com Sara Antónia Matos e Pedro Faro, Júlio Pomar referiu, a propósito dos 50 anos do Maio de 68 que “os escudos da política eram grandes, redondos e opacos, e os bastões da polícia eram linhas rectas e compridas”. O que pode a arte perante isto?