Após estudo e conservação na Escola das Artes imagem da Virgem Peregrina de Fátima viaja para o Panamá

Imagens de arquivo: Cortesia Arquivo do Santuário de Fátima

 

Imagem que acompanha Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude foi estudada no Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes, na Católica do Porto

A escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima viaja, este domingo, 20 de janeiro, até ao Panamá, para estar presente nas Jornadas Mundiais da Juventude, iniciativa que decorre de 22 a 27 de janeiro e que conta com a presença do Papa Francisco. Antes desta importante viagem, a imagem, datada de 1947, foi alvo de um processo de estudo técnico e material no Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes da Católica no Porto, a entidade escolhida pelo Museu do Santuário de Fátima para levar a cabo a identificação dos materiais que constituem o suporte e superfície da escultura, bem como a caracterização das técnicas construtivas utilizadas.
 
A este nível, refira-se que, durante 15 dias, o Centro de Conservação e Restauro desenvolveu um estudo aprofundado que permitiu perceber a forma como José Ferreira Thedim criou a escultura. Numa primeira fase, os investigadores do Centro tentaram perceber o estado de conservação do suporte e detetar intervenções passadas de conservação ou restauro. De seguida – e de forma a estudar o número e a espessura das camadas de tinta, identificar pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados na escultura – recolheram e analisaram micro-amostras com o auxílio de infravermelhos e de raios-x.
 
Intervenção possibilita viagem de aproximadamente 8.000 quilómetros
 
Durante o processo de exame e análise da escultura – criada segundo a descrição da irmã Lúcia –, foi executada, ainda, a estabilização estrutural da base, um dos pontos mais sensíveis da imagem. Carla Felizardo, diretora do Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes da Católica no Porto, refere que “a fragilidade da base e a necessidade de estabilidade da escultura levaram a que fosse realizado um reforço estrutural, essencial tendo em conta a viagem de aproximadamente 8.000 quilómetros que a imagem fará, agora, até ao Panamá”.
 
Também ao cuidado do CCR da Escola das Artes esteve o andor que transporta a figura em procissões, tendo este sido alvo de uma intervenção de conservação e restauro. Esta, para além da remoção de repintes que ocultavam grande parte da superfície dourada original, procurou devolver à peça a sua estabilidade estrutural, bem como a sua leitura histórica e artística. 
 
Para a diretora do Centro, “é um enorme motivo de orgulho saber que o nosso Centro fez parte do processo de estudo e conservação da imagem que acompanhará o Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude”. “A confiança que o Santuário de Fátima depositou no nosso trabalho, dando-nos a oportunidade de contactar com uma peça desta natureza, é, sem dúvida, um marco inigualável e que faz já parte das memórias mais importantes do Centro”, conclui. Recorde-se que esta escultura percorre, desde 1947, os caminhos do mundo, tendo passado, em menos de 10 anos, pelos cinco continentes, sendo, talvez, a peça artística mais viajada do mundo. 
 
Uma saída excecional para um acontecimento eclesial de primeira importância
 
Entre 1947 e 2003, ano em que a Imagem Peregrina n.º 1 foi entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, saindo apenas excecionalmente do Santuário de Fátima, foram contabilizados cerca de 630 mil quilómetros percorridos pelos cinco continentes, aproximadamente 15 voltas ao mundo, tomando como referência o perímetro equatorial. 
 
Numa mensagem aos cristãos do Panamá, o padre Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, falou da “enorme alegria que é enviar a Imagem Peregrina mais importante para a Jornada Mundial da Juventude”. “Esta Imagem Peregrina é única, é a primeira e a original, aquela que percorreu os vários continentes, aquela que deu várias vezes a volta ao mundo”, refere o reitor do Santuário, que sublinha o caráter “absolutamente excecional” desta saída. “Entendemos que este é um momento muito importante e que, por isso, justifica a saída desta Imagem Peregrina n.º 1”, explica, justificando, ainda, as Jornadas Mundiais da Juventude 2019 como um “acontecimento eclesial de primeira importância”.
 
Por outro lado, “sabemos o quanto a devoção a Nossa Senhora está, desde a origem das Jornadas, ligada a este acontecimento”, revela, ainda, o reitor. “Sabemos o quão devoto era a Nossa Senhora o Papa S. João Paulo II e, por isso e muito naturalmente, quando criou as Jornadas Mundiais da Juventude, deu-lhe um cunho mariano, o que era, por si só, motivo mais que suficiente para o envio de uma Imagem para nós tão importante”, conclui.