Arte e Transcendência | Conversa a partir do trabalho de João Onofre

18.10.2018 18:00
Auditório Ilídio Pinho | Campus Foz

Ao clicar aqui, o conteúdo irá ser traduzido pelo Microsoft Translator.
By clicking here, the content will be translated by Microsoft Translator.

18.10.2018 18:00 Arte e Transcendência | Conversa a partir do trabalho de João Onofre Link: http://artes.porto.ucp.pt/pt/central-eventos/arte-e-transcendencia-conversa-partir-trabalho-joao-onofre

Como Chegar / How to Arrive
Universidade Católica Portuguesa - Porto | Campus Foz | Auditório Ilídio Pinho

"Every Gravedigger in Lisbon (Alto de São João Cemetery)", 2006
C-print (conjunto de 7)
64,8 x 71,8 cm
Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art, Lisbon

 

Conversa a partir do trabalho do artista João Onofre
com João Onofre e João Duque | Moderação: Nuno Crespo

19h | Auditório Ilídio Pinho

 

No âmbito o Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, a Escola das Artes promove uma conversa em torno do artista português João Onofre. O trabalho de Onofre não tem qualquer tipo de conteúdo religioso, nem usa nenhum tipo de iconografia próxima da chamada arte religiosa. Mas muitas destas obras são importantes meditações acerca da finitude, da morte, do desencontro, da solidão e da procura humana de redenção.

Esta reflexão terá como ponto de partida o visionamento de uma seleção de trabalhos deste artista (filmes, fotografias, etc.) através do qual Nuno Crespo e João Duque conversarão sobre as questões da finitude, da consciência da morte e da relação humana com a sua própria extinção; mas igualmente do modo como no trabalho de João Onofre existe uma permanente reflexão acerca da impossibilidade, do desencontro e da necessidade de encontrar algures algum tipo de consolo e redenção.

 

Notas biográficas

João Onofre nasceu em Lisboa, 1976, onde vive e trabalha. Estudou na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e concluiu o Master of Fine Arts no Goldsmiths, University of London no Reino Unido em 1999, concluindo o Doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra em 2018.  Entre as suas exposições individuais destacam-se: I-20, Nova Iorque (2001); P.S.1. / MoMA Contemporary Art Center, Nova Iorque (2002); Nothing Will Go Wrong, MNAC, Lisboa, e CGAC, Santiago de Compostela, Espanha (2003); Project Space Kunsthalle Wien- Karlsplatz. Viena (2003). João Onofre, Magazin 4, Bregenz, (2004); Galeria Toni Tàpies, Barcelona (2005); Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa (2007); Fundació Joan Miró, Barcelona e Palais de Tokyo, Paris ambas em 2011; Marlborough Contemporary, Londres (2014); Kunstpavillion, Munique, Alemanha (2015); Appleton Square, Lisboa (2016); MAAT, Lisboa , (2017). Integrou inúmeras exposições colectivas internacionais entre as quais, se distinguem de forma mais notável: The 49th Venice Biennale, Human Interest at Philadelphia Museum of Art, Philadelphia; Youth of Today, Schirn Kunsthalle, Frankfurt; Performing Bodies, Tate Modern, Londres; Video, An Art, A History 1965-2005 New Media collection, Centre Pompidou, Sydney- Contemporary Art Museum, Barcelona- Fundació La Caixa, Taipei Fine Art Museum; Postscript: Writing After Conceptual Art, Denver Museum of Contemporary Art, Denver, E.U.A. ; Punk. Its Trace in Contemporary Art, MACBA, Spain. O seu trabalho está representado em diversas coleções nacionais e internacionais de natureza publica e privada.

João Duque é professor Catedrático na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Licenciatura em Teologia, pela UCP, em 1987. Em 1996, Doutoramento em Teologia Fundamental pela Philosophisch-Theologische Hochschule Sankt Georgen, Frankfurt, Alemanha, com uma tese sobre a receção teológica da filosofia da arte de Gadamer, sob orientação de Jörg Splett, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. É Docente convidado na Faculdade de Filosofia (Braga). Leccionou na Escola das Artes (Porto) da Universidade Católica Portuguesa, e no Instituto Teológico Compostelano, agregado da Universidade Pontifícia de Salamanca. É coordenador do Curso de Doutoramento em Estudos da Religião da UCP. Desde 2007 é Diretor do Núcleo de Braga da Faculdade de Teologia. Desde 2011 é Presidente do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa. Membro do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (Faculdade de Teologia da UCP) e do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos (Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP) e pesquisador convidado no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Pontifícia Universidade de São Paulo. Membro do Conselho de Redação da revista Theologica, de Braga, dos Conselhos Científicos das Revistas Teologia, de Milão, e Salmanticensis, de Salamanca, e do Conselho Editorial da coleção Perconoscenza, da Editora EDB de Bolonha. 

Nuno Crespo é licenciado e doutorado em filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigador do CITAR onde coordena um grupo de investigação sobre arte, critica e política. Director da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa onde ensina estética e teoria da arte. É crítico de arte e membro do conselho editorial do Ípsilon (Jornal Público) e a sua atividade de investigação tem sido dedicada, principalmente, ao cruzamento entre arte, arquitetura e filosofia e às questões da crítica de arte e a autores como Kant, Wittgenstein, Walter Benjamin, Peter Zumthor e Adolf Loos. 

 

Sobre a série "Every Gravedigger in Lisbon":

Nestas fotografias de 2006, Onofre guia-se por este princípio: a clareza total obscurece ! Por isso, retratar todos os coveiros de Lisboa banaliza a imagem da morte até à sua inexistência. E aquilo que sabemos do “ser” da morte (de que não podemos saber nada, no fundo) é a inexistência de todo e qualquer saber. O coveiro personifica esta interpretação impossível. Cada um destes homens enterrou dezenas e centenas de outros homens, logo a morte para eles há muito que deixou de existir – é um trabalho e uma profissão: somente. Onofre retrata aqui tais profissionais ligados a uma rotina sem metafísica. O coveiro, tendo a morte como profissão, não a vê – daí que todos estes retratados nos surjam de óculos completamente escuros.

Carlos Vidal

Esquizo-imagens e as suas consequências representacionais (pg.91 e 93)

em: João Onofre, LIGHTEN UP
CAV-Centro de Artes Visuais, Coimbra, 2010