Salomé Lamas- Auto-Retrato

 

 

Salomé Lamas- Auto-Retrato

18 JUN > 28 SET
Sala de Exposições - Escola das Artes

Curadoria: Daniel Ribas

 

A guerra na Ucrânia está no seu auge. No início de 2015, um produtor português disponibilizou um fundo simbólico que permite o retorno à Transnístria, uma zona em conflito na Moldávia. Nós solicitamos vistos de jornalista com um “guião” falso. Os vistos demoram muito. No entanto, reservamos os bilhetes de avião; eu coloco parte do orçamento disponível nos meus bolsos; S.D leva o resto de Berlim. Dois dias antes de partir, todos os membros da equipa recebem acreditações de jornalistas - incluindo os cidadãos moldavos. A filmagem é realizada como esperado durante 20 dias; o único “incidente” foi registado e relatado em Self-Portrait. Nós estávamos a filmar ao lado da fronteira com a Ucrânia. Não há proteção consular no território. Não tenho certeza se algum dia vou reencontrar-me com os nossos amigos.

Salomé Lamas

 

Salomé Lamas (Lisboa) estudou cinema em Lisboa e Praga, artes visuais em Amsterdão e é doutoranda em Arte Contemporânea em Coimbra. O seu trabalho tem sido exibido tanto em contextos artísticos como nos principais festivais de cinema. Conta já com diversas exposições e filmes, destacando-se as suas longas-metragens Terra de Ninguém (2012), Eldorado XXI (2016) e Extinção (2018). É Artista Residente na Escola das Artes no ano letivo 2017/18.

No singular universo do seu trabalho multidisciplinar, Salomé Lamas sempre se expôs a situações complexas: enfrentar um mercenário em Terra de Ninguém (2012) ou viver em condições extremas para a rodagem de Eldorado XXI (2016) são apenas dois exemplos dos seus métodos de criação e produção. Para a artista, o próprio ato de se colocar em risco é necessário para o processo criativo. Nada mais natural, portanto, que Lamas tenha escolhido um dos espaços geográficos mais perigosos para filmar Extinção (2018), o projeto que está na origem desta exposição: a Transnístria, um território não reconhecido que ocupa parte da atual Moldávia, mais um dos “conflitos congelados” que surgiram com o fim da União Soviética.
Esta procura pelo Outro, aquele que radicalmente não se conhece, é fundamental na pesquisa que Lamas tem encetado. Em certo sentido, parece que a artista se provoca a si mesma para questionar as identidades (dela e dos Outros). Este Auto-Retrato é, por isso mesmo, uma forma de dar destaque aos fatores que nos permitem aproximar ou afastar desses outros: uma língua diferente, uma fronteira indefinida, um visto de entra- da, um interrogatório e uma(s) História(a) - aqui com uma complexa rede que envolve a União Soviética, a Rússia, a Ucrânia, a Moldávia e a Roménia).

Daniel Ribas

 

 

Apoio:
Fundação Calouste Gulbenkian

Agradecimentos:
Fundação de Serralves- Museu de Arte Contemporânea

Sala de Exposições – Escola das Artes
Horário: quinta-feira a sábado / 14h-19h
Entrada: livre
Visita orientada: por marcação (mdinis@porto.ucp.pt)

 

Esta exposição encontra-se encerrada durante o mês de Agosto