Porto Tónico@50 - Refugiados e o canon artístico ocidental. Inauguração da Exposição "Arenário", de Francisco Tropa

28.02.2018 19:00
Universidade Católica Portuguesa - Porto

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28.02.2018 19:00 Porto Tónico@50 - Refugiados e o canon artístico ocidental. Inauguração da Exposição "Arenário", de Francisco Tropa Link: http://artes.porto.ucp.pt/en/node/15895

Como Chegar / How to Arrive
Universidade Católica Portuguesa - Porto

 

Sessão organizada no âmbito das comemorações dos 50 anos da Universidade Católica Portuguesa.

 

A reserva de lugares está limitada à capacidade da sala, pelo que se solicita confirmação de presença aqui

 

 

Uma das consequências da intensa movimentação de pessoas na Europa, a que artistas contemporâneos têm dedicado importantes trabalhos, é não só uma reconfiguração dos habituais territórios sociais (com fortes consequências na organização social e económica), mas também da nossa cultura e dos protocolos que regem a relação com diferentes práticas artísticas e funções da arte.

A integração e a vida em conjunto não é só um desafio económico e social, mas também cultural e científico: como fazer das nossas exposições, galerias e museus lugares de reconhecimento do outro e palco de uma arte com funções e genealogias totalmente diversa da nossa?
 
O encontro e confronto com diferentes entendimentos do lugar e do papel da produção e reflexão artística implica questionar não só o papel da arte, mas o próprio sistema de construção da sua narrativa. Um confronto e mistura que desafiam, sobretudo, o cânone artístico ocidental e todos os protocolos de experiência expositiva e artísticas: como olhar para objetos semelhantes a esculturas mas cuja função era mágica? Como conceber a justaposição e confronto entre a nossa cultura de celebridade (como lhe chama Isabelle Graw) e artistas, artesãos e religiosos totalmente desconhecidos? Coisas com funções mágicas que abalam não só as nossas certezas acerca do que deve e pode a arte, mas obrigam a própria história da arte a pensar nas categorias utilizadas para classificar os seus objeto.

Mas são estas histórias e estas coisas que, através da intensa movimentação de populações, são transportadas para o centro da nossa realidade. Discursos e objetos que testemunham não só uma vida, um território, uma sensibilidade, mas nos impelem a reconfigurar as nossas ideias de criatividade, de arte e de experiência estética. Portanto, o desafio que esta crise representa não diz só respeito às politicas, à habitação ou à ética do acolhimento, mas é também um desafio à nossa sensibilidade e um teste à maneira como a cultura ocidental se pode, ou não, rever como uma cultura de hospitalidade.